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19 junho 2026

Amo-vos muito! Durmam bem! Sonhem comigo!

 


Minha querida Marta...

O que não daria eu para sonhar contigo.... A avó mandou-nos esta imagem no sábado e, não sei como, não dei por ela. 

Deus escrevendo direito por linhas tortas? Não sei.... Mas sei que hoje estava a precisar deste teu sorriso, uma imagem que parece quase premonitória. Espero que, de facto estejas bem e feliz, zelando por nós, tanto quanto zelamos e cuidamos da tua memória.

Na incerteza de onde estás e de como estás (ver para crer não é agora possível e isso faz-nos muita falta), a avó teve uma conversa com a Rosário sobre :
  • as missas que todos estão a mandar rezar por ti (nisso a Rosário tem sido exímia) 
  • e porque que é que o fazemos (minha querida... se é isso que te salva de qualquer coisa nessa tua nova dimensão, estás garantida! - tantas têm sido as missas que manda rezar!) . 
[Um à parte: 😅😂😂😂😂 Tenho a certeza de que agora, se de alguma forma me sentes/ouves/vês, estás de cabeça bem para trás, com o teu longo cabelo caído pelas costas, a soltar uma daquelas tuas sonoras gargalhadas que  terminariam num interminável riso coletivo que ninguém conseguiria parar.]

A resposta?... A do dogma: rezamos pelas almas que estão no purgatório... As missas servem para parar as chamas que as queimam. O efeito é instantâneo. É rezada a missa e o "castigo" é suspenso com efeitos imediatos...

Rezo-te e rezo por ti por outros motivos Martinha. Rezo como uma forma de te manter viva e para que te sintas acompanhada e com a certeza de que não te esqueceremos. 

Pecados? Existiram alguns... 😅😂! Quem não?!?! Mas não os que te merecessem castigo. Infelizmente o teu (mais do que alguma vez algum de nós o conseguisse avaliar) foi por cá. E tenho toda a certeza que, a existir, não mereces purgatório algum, Martinha. 

O meu Deus, aquele que me ensinou a minha Tia Marichen, jamais permitiria tamanha injustiça.

Sabes de uma coisa de que amiúdo me vou relembrando porque me aproxima muito de ti? 

É algo que, sem consciência (de ambas), me foste ensinado nos últimos 20 anos (e que todos nós, adultos, por vezes, tentávamos travar - que estupidez!): o sonho. 

O sonho desmedido - muitas vezes incompreensível aos olhos dos outros. Quase "esquizofrénico" porque totalmente inatingível. 

Tinhas razão, Marta... mais vale sonhar grande.

Ainda não consigo sonhar, nem tão pouco sonhar tão grande como tu, mas vou tentando esforçar-me por isso. Sei que lá chegarei. Antes de mais, estou a tentar transformar a dor em doçura da saudade.

Que saudades dos teus exageros, minha querida!

Amo-te muito! Dorme bem! Deixa-me sonhar contigo!

16 junho 2026

Há dias que são tão estranhos minha querida Marta.


 Acordei bem disposta. Um bocadinho ansiosa pelo Tiago que ia fazer exame de português. Mas, de forma geral, tranquila.

Subitamente, a garganta apertou-se-me. Senti um nó do estômago. E a minha mente foi invadida por um conjunto de pensamentos e imagens, alguns já nem consigo nomear…

Vieste-me à memória naquele que foi o dia mais… nem te sei explicar minha querida…

Veio-me à memória, física até, o momento em que receb a noticia de que já não estavas entre nós. O momento em que tive de dizer à avó Zita que tinhas morrido minha querida. O sentimento de perda. A sensação inerente ao nunca facto de que mais te vou ver, tocar, abraçar, sentir, cheirar, mimar-te e ser mimada por ti.

Que saudades que tenho de rir contigo só porque sim. sem motivo e com total ausência de controlo. 

Que saudades Martinha! 

25 maio 2026

Que saudades Martinha!

  

O fim de semana que passou foi um FDS cheio. 

Cheio de coisas boas, memórias incríveis, casa cheia de amigos e de gente nova (amigos do Tiago e os pais de um deles). Festa como tu gostas! Muito barulho. Muita gente. E muita gente feliz!

Foi também um FDS cheio de saudades tuas!

Sei que não haveria nada neste mundo que te demovesse de estar presente. Consigo ver-te inchada de orgulho do Tiago, cheia de conselhos para dar.... Daqueles dias em que serias tão melga, tão melga.... Como só tu sabias ser melga.

Queria tanto ter sentido o teu abraço, os teus beijos e as tuas gargalhadas porque sei que teria sido um FDS muito feliz para ti.

Lembrei-me de ti a cada momento.

Levei-te comigo para o Crisma do Tiago. Tive-te sempre presente na minha mente. Escolhi vestir-me de verde... e usei a pulseira que te trouxemos de Roma.

Mas muito para além disso sentimos-te presente... 

No domingo, quando acordou, perguntei ao Tiago se tinha gostado do dia anterior. 

Respondeu-me que muito. 

Perguntou-me se eu tinha gostado da missa do Crisma. 

Respondi-lhe que sim. 

Perguntou-me se tinha reparado nalguma coisa em particular. 

Respondi-lhe que sim sem responder exatamente o quê.

Sem querer partilhar comigo o que tinha sentido de especial para não me influenciar, perguntou-me em que é que eu tinha reparado.

O Bispo que celebrou a missa, sem ter qualquer ligação ao Tiago ou aos Salesianos, quando estava a fazer as intenções pediu pelos crismados, pelas famílias e pelos que já partiram. 

Fez uma pausa e pediu em particular pelos que partiram recentemente e que marcaram as vidas daqueles que foram crismados naquela cerimónia.

O Tiago ouviu o mesmo que eu. Os teus pais ouviram o teu nome…

Partilhei-te com as pessoas com quem estive nestes dois dias e que não sabiam sequer da tua existência.

E foi tão bom partilhar-te, Martinha. Porque a cada vez que o faço apesar da comoção, da dor da tua ausência, não te sei explicar bem porquê, a saudade torna-se um pouco mais doce. 

Apesar de continuar a sentir um nó na garganta, é impossível falar de ti sem falar de riso, alegria e doçura (a par da estroinice, da teimosia, etc. Mas sabes uma coisa?!?! Houve alturas em que não lhes achei graça nenhuma, mas agora até essas coisas me fazem sorrir).

Houve promessas que te fiz que não cumpri. Porém a promessa de nunca te esquecer e de não deixar que sejas esquecida, cumprirei sempre, até ao meu último dia. 

Quando o Tiago era pequenino e ficava com muitas saudades minhas quando estava em Ribamar, com os avós, durante alguns dias; a tia costumava dizer-lhe que as saudades eram boas porque quando nos víssemos as íamos matar com muitos beijinhos e abracinhos. 

Quero muito acreditar que um dia as vamos conseguir matar Martinha. Melgas/lapas como somos as duas acho que não nos largaremos durante algum tempo 😂🤣.


17 abril 2026

Já te disse hoje o quanto gosto de ti?

 

Sei que sim. E pudesse, dir-to-ia a cada segundo.

Obrigada pela partilha (cartas da tu última missão no Torrão). Mesmo!

Sabes que nós, pais (e as mães talvez um pouco mais…. 😉), temos muitas certezas sobre as pessoas que colocámos neste mundo e que moldámos em função do que nos parece ser o mais certo. Temos muitas certezas sobre a “qualidade” do nosso trabalho e da “qualidade do produto final…

Nem sempre é bem assim…

Queremos muitas vezes convencer-nos de que não poderíamos, de facto, ter feito melhor com o conhecimento e com as “armas” de que dispúnhamos ao longo de cada fase do vosso crescimento.

Às vezes vêm as dúvidas, e achamos que:

1º Podíamos ter feito melhor, que falhámos nalgumas coisas, que podíamos ter passado melhor a informação;

2º que vocês, por qualquer que seja a razão, teimam em não pôr em prática o que vos ensinámos e continuamos a ensinar.

A crítica, que se pretende construtiva, nem sempre é entendida assim… Porém, entende que apenas o fazemos porque vos sabemos capazes de conseguir chegar ainda mais próximo da excelência.

Não é intencional o peso que te possamos colocar em cima (e tenho a consciência de que por vezes isso acontece).

É antes resultado de um imenso amor e orgulho que tenho em ti; e, por vezes, aborrece-me que, às vezes por “preguiça” não te manifestes como o miúdo espetacular que és.

E depois…

Depois abres-me uma porta (uma janela, vá! 😊) para o teu mundo… E o meu peito cresce.

Cresce de orgulho, mas mais que tudo cresce por ti:

Por te ver orgulhoso, confiante, feliz e realizado.

Por te perceber reconhecido pelos teus pares, não apenas pelo que fazes, mas acima de tudo, por quem és.

Imensamente feliz por perceber que o Tiago “Confiançudo” a toda a hora se apaga de vez em quando, dando lugar a um Tiago mais vulnerável e empático que se permite ser ajudado, ajudando também os outros nos seus percursos/processos (sejam eles de fé ou não).

Gosto muito de te saber gostado!

Já te disse hoje o quanto gosto de ti? To the moon and back!

Um beijo.

Mãe


15 abril 2026

Ontem, voltaram a minha casa... Que Bom!

Gostei tanto de os ter por perto. De forma totalmente inesperada.

Quinta-feira. Dia de Teletrabalho. Recebi um telefonema dela. Perguntou-me se estava sózinha. Disse-lhe que não. O Tiago já tinha voltado das aulas e o Pedro estava também em teletrabalho.

A conversa tinha durado, até então, pouco mais de um minuto. Preparava-se para se despedir. Estranhei o conteúdo do telefonema e disse-lho: "Ligas-me para me perguntar se estou sózinha em casa?!?! O que é que me querias realmente dizer?"

O Ricardo o que fazer em Cascais. Perguntou-lhe se queria ir ter comigo. Hesitou pela presença do Pedro e do Tiago (um estava trancado no quarto o outro tinha-se deixado dormir no sofá).

Insisti para que viesse, que não daria pela presença dos dois. 

Disse-me que logo decidiria.

Não me avisou que viria. Ouvi o portão abrir e um Tico com um ladrar feliz de quem me avisa que chegou alguém de quem gosta. logo de seguida este ladrar fez-se acompanhar de uma gargalhada que reconheci de imediato como a nova gargalhada da nossa boneca.

Estivemos à conversa. Primeiro as duas. Depois a Boneca juntou-se, e, por fim o Tiago também.

Foi um momento bem passado enquanto eles saboreavam panquecas.

A Marta surgiu, como sempre. De forma leve e natural. Ainda rimos com histórias suas, dos quatro, em Paris, entre outras. 

Incrível como ainda vamos descobrindo coisas de que nunca falámos.

Ainda te estou a descobrir, Martinha...

E só depois de saírem é que me dei conta de que a última vez que os dois (os teus pais) tinham estado em minha casa, foi no dia de Natal. 

É estranho que a minha casa seja de repente um sítio onde as pessoas tenham receio de voltar por ter sido palco de algumas das últimas memórias que criámos contigo.

O avô teve o mesmo receio. Porém foi tão bom tê-lo superado e ter decidido estar connosco na Páscoa. Criámos novas e boas memórias esta Páscoa, Martinha. 

ADORARIAS ter estado presente. Sei que teria sido para ti fonte de satisfação e felicidade. Foi um bom dia e juntámos a esse nosso dia a Zita, de quem tanto gostavas.

Consigo ouvir agora a gargalhada que terias soltado. O disparate que terias dito. Vejo o teu doce sorriso de quem se diz contente por mais um se juntar a nós e tornar-se nosso.

Gosto de ti, Martinha. Muito! To the moon and back. Até à eternidade seria uma expressão que utilizaria, mas que agora, e embora se mantenha fiel ao que sinto, ganhou um peso, uma verosimilhança que não me apetece...

Queria tanto sentir agora o calor do teu abraço e o teu cheiro... Não me consigo lembrar do teu cheiro, meu amor. Por alguma razão ando atrás dele e não o consigo recuperar.

Deixa-me sonhar contigo, Princesa... e sentir-te. 


24 fevereiro 2026

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez!

 


Minha querida Princesa,

Perguntava-me ontem a avó em que tempo verbal eu te conjugava. Conjugo-te no presente. E muito embora te possa conjugar no imperfeito para me tornar mais inteligível aos outros, cá dentro, vou continuar sempre a conjugar-te no presente.

Por mais voltas que dê ao texto ou por mais lágrimas que corram quando tenho saudade, não te sei conjugar noutro tempo. Porque, mais do que fazeres parte da minha vida, fazes parte de mim.

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez. E por isso celebro-te! Celebro-te procurando sempre a tua essência, num misto de teimosia, assertividade, inocência e de loucura. Procurando sempre o teu dócil sorriso ou a tua inebriante gargalhada.

Desafiante e desafiadora desde o primeiro dia. Persistente e provocadora. Dócil e impetuosa. Com um gosto pela vida e uma sede de viver que não conheço a muita gente. Com uma intensidade, por vezes, exasperante, que me deixava tantas vezes exaurida.

Sinto falta da tua intensidade, da tua gargalhada e do teu abraço.

Sem disso ter muita consciência, aprendi tando tanto contigo, Marta. E na tua ausência continuo a aprender. Sobre mim e sobre os outros, mesmo aqueles que nos são mais próximos. Não nos podemos surpreender contigo, mas surpreendemo-nos com os outros através de ti quando partilhamos e te partilhamos.

Ontem, se nos viste, tinhas, com toda a certeza, um sorriso de orelha a orelha e um brilho nos olhos enquanto completavas a frase do avô: “Gosto muito de ti, Amo-te muito…”.

“Dorme bem e sonha comigo.” – disseste-o, com toda a certeza.

O avô pedia-te que cuidasses de nós. Nós cuidaremos sempre de ti, Princesa.

Obrigada Martinha, por fazeres parte das nossas vidas. E, daqui a um ano, celebraremos mais um em que fui tia, Princesa, pela minha primeira vez!


23 janeiro 2026

Falaste-me hoje em sonhos?

  “Hoje a Marta falou-me em sonhos e pediu-me que vos fosse falando aos poucos”, contava eu há quase 20 atrás.

Não sei se hoje, através dos meu sonhou loucos, me voltaste a tentar falar… O que sei é que acordei com a sensação de que o sono/sonho deveria ter continuado. Com a sensação de que ficou qualquer coisa no ar que a minha memória consciente não reteve.

Foi estranho o sonho que tive.

Estava o Ricardo Araújo Pereira a apresentar um dos seus programas/Podcasts. Tinha como convidado/participante o Padre Paulo Duarte SJ, porém apresenta com algum recato o nosso Ricardo como convidado de honra porque o tema eras tu, Marta…

Acordei. E não me lembro de mais nada.

12 janeiro 2026

Amo-te muito! Dorme Bem! Sonha comigo!

 

24 setembro 2006

Faz hoje exatamente 7 meses que a vi pela primeira vez... E desse primeiro encontro retive todos os pormenores.

Detalhes de que nunca se irá recordar a não ser pela memória dos outros. É este o motivo pelo qual escrevo à Marta. Enquanto não pode fazê-lo ela própria, porque não escrevermos nós o "seu primeiro diário"?

Uma forma engraçada de nos relembrarmos também dos momentos únicos que dizem as mamãs: "nunca me irei esquecer"; e que eventualmente ficarão, por sorte, registados nos famosos "Livros do Bebé".

A minha primeira conversa com a Marta foi intensa. Fui "tia de verdade" pela primeira vez (tal como diria a Carlota – a minha sobrinha emprestada de 5 anos); mas foi também muito divertida.

Falámos ...

  • de democracia: "É melhor a menina aprender desde já que lá em casa quem manda são as mulheres". É essencial ensiná-los bem desde que chegam a este mundo!
  • de beleza. Ela era linda! Com ar de mexicanita. Ou como continua a dizer a Carlota num tom muito ternurento: "Ela é linda! Tem cara de ratita!"
  • de estética... Sim porque apesar de linda, quando cá chegou, a Marta tinha umas unhas já crescidotas: "Não Marta, a menina ainda não tem idade para unhas de gel! Quando for maior, então sim, a tia leva-a à Dulce."
  • ainda sobre beleza... sobre a beleza interior. Sobre a beleza do que nos conseguiu a todos fazer sentir. Da frescura que trouxe a todas as nossas vidas. Dos sentimentos que julgamos sempre já ter vivido, mas que nos surgem sempre como uma novidade avassaladora.

De lá para cá, muitas têm sido as conversas que temos tido. Umas mais "profundas" do que outras, mas todas elas únicas...

Mais que tudo, o que vamos, entrelinhas, ensinado à Marta, esperando que de facto profundamente se enraíze... é a arte do dar e receber.

Num contexto completamente distinto, não tão cor-de-rosa como o da Marta, ouvi uma criança dizer ter encontrado "no dar aos outros" a sua fonte de alegria e de felicidade. Ao que alguém lhe respondia que "Há muita gente que nunca descobre essa verdade." Espero que a Marta a descubra um dia!

A Marta descobriu! E como nos dizes todos os dias que falas connosco ao final da noite: Amo-te muito! Dorme Bem! Sonha comigo!

19 março 2009

Olá Pai


Olá pai!

Sabes que hoje é um dia especial?
Não, pai! Hoje não é Natal!
A mãe acha que me está a nascer o meu 1º dente
Mais um sinal de que me estou a tornar gente.

Estou tão contente!

Não que não o seja,
Mas estou a ficar crescido.
Qualquer dia não há bébé que se veja,
E fraldas e biberãos serão tempo ido.

A mamã diz que o tempo passa a correr
Quase sem que se consiga perceber.
Sabes pai?!? Isso até é uma sorte!
Não tarda este dente vai cair,
E a fada com muitas prendas para mim vai vir!

Por em prendas falar, parece afinal,
Que por outro motivo que não o meu dente, o dia é especial.
A mamã diz que há algo a comemorar

Não percebi muito bem...
A Mamã diz que é o teu dia....
Existe um dia do filho também?

Não percebo muito deste mundo,
Por isso não sei se gosto mundo desta ideia...
O que sei é que lá no fundo, lá no fundo,
Gosto de ti como de geleia!

Não sei o que isso é,
Mas a mamã diz que vou gostar
Como gosto de papaia ou do meu pé,
E isso pai, é gostar até fartar.

Como compras ainda não sei fazer,
Pedi à mamã para uma prenda te comprar.
A mamã diz que o melhor do mundo é saber dar e receber,
Vamos umas aventuras partilhar?

20 março 2008

Parabéns Papá!



Pois é papá,
Consta que achas que sou um pouco envergonhado
Mas não é por mal,
Ainda não estou muito habituado
A que me façam festinhas, etc. e tal.

Já sei que vais dizer que isso não é verdade,
Que a mamã outra coisa não sabe fazer.
Mas sabes papá, ela foi na realidade
A primeira que se deu a conhecer.

Ela faz-me muitas festinhas
E conta-me muitas histórinhas.
Sabes uma coisa que me disse?
Que hoje é um dia especial…
Mas não, não penses que é Natal!

Das muitas coisas que a me contou mamã,
Foi a história da minha prima Marta…
Que quando era pequenina, foi esperta que se farta!
Como ainda não sabia falar, pediu-lhe que a ajudasse
Para que melhor se expressasse.

Disse então a Marta ao tio Ricardo e à tia Tita,
Que a mamã tinha sonhos loucos,
E que isso aproveitava para lhes ir falando aos poucos.

Ao contrário da minha prima, não preciso dos sonhos da mamã
Para te dizer que tenho o melhor pai do mundo,
Ontem, hoje, amanhã....
Sempre e a acima de tudo!

Mas disse-me a mamã, que para o dia comemorar,
E que para sempre o pudéssemos lembrar,
Não bastava dizer-te que, uma das minhas poucas certezas, é a de muito te amar…
Uma prenda tínhamos de te dar!

Mas sabes papá, isto de te comprar prendas, é uma complicação!
E tinha de ser uma coisa de coração…
A mamã pensou, pensou…. Mas até ela teve dificuldade,
E eu o mundo, ainda mal o conheço ... É a pura da verdade!

Primeiro pensámos que um charuto fumar
Seria uma boa forma de comemorar!
Mas isso não seria um bom exemplo a dar....
Deveria ser uma coisa que pudessemos os dois partilhar!

Lembrámo-nos depois então, que para melhor te conhecer,
Nada melhor que andarmos os dois muito juntinhos!
Não é para já, mas está perto de acontecer…
E vais ver… Vai ser tão bom ficarmos assim apertadinhos!

Desejo-te então um dia muito feliz!
Eu! O Tiago! O teu petiz!

26 abril 2007

Dizem que...


... Quem sai aos seus não degenera...
Às vezes quem dera!
Diz a avó:
"Lá andas tu outra vez, Marta, a fazer das tuas!
Vê lá, não vás ver estrelas e luas!"


Ilustração: Irisz Agocs

22 março 2007

O tempo passa a correr... Um ano e um mês...

O tempo passa a correr,
E a correr começas tu a andar.
Depressa deixamos de te ver,
E o perigo é que tudo começas a trepar.

Pois é Martinha,
O mundo está cheio de coisas novas...
Muitas mais do que há uns meses sabias que tinha!

E é tão bom aprender
E para isso melhor do que ver....
(Muito melhor!)... É Mexer!

Mexer, mexer, mexer...
Até tudo bem conhecer!
Se novidade ou não, não interessa!
Para quê alguém do contrário tentar convencer...?
Nada há que de mais pormenores descobrir te impeça!

E se alguém a tal se atrever....
Que preparado esteja!
Vai ter de se esforçar por te compreender...
Porque discussão vai ter!
Daquelas que a ninguém se deseja!

Como costuma dizer a tia,
Muitas coisas vais poder ser:

Os PCs são paixão...
Poderia esta ser potencial ocupação!

Ao ritmo a que o teu rabo de fraldas balanças...
Porque não as danças?!?

Por outro lado, como menina muito observadora,
Darias uma cientista promissora!

Mas inteligente como és...
Um mundo poderás ter a teus pés!

Acima de tudo, o importante,
E tens tempo... Tanto tempo...,
Serás tu a descobrir, o que acharás mais aliciante!

30 outubro 2006

Que cheiro...

Por brincadeira, ou nem por isso, dizia eu outro dia,
Que nos cabe a nós escrever o teu primeiro diário.
Tarefa que, para não variar, cabe à tia,
Para evitar que nos vamos esquecendo,
De tudo o que vai acontecendo,
Do mais banal ao mais extraordinário.

Pois bem,
Apesar de aos "maus cheiros" já estarmos habituados
(Entre "" porque, como diz a avó, os teus são sempre sagrados)
Este não foi de todo dos nossos agrados!

Oh tia, a culpa não é minha!
A mamã ontem deu-me o meu primeiro peixe!
E apesar de deliciosa a minha papinha,
Não tem cheiro que se deseje!

Pois é Martuxa,
Mas há hábitos que a menina tem de perder!
A boca é para pôr a chucha,
E não para os dedos andar sempre a comer!

Porque depois vem o resto...
Aquelas coisas que todos achamos deliciosas
Muitos beijos, muitas festas... muito afecto
Que só tu nos sabes dar... minha linda preciosa!

Mas vem também o sono, e com ele segundo banho...
Não aquele que te deixa cheirosa...
Aquele que nos faz dizer: Que cheiro! Que estranho!

25 outubro 2006

Era uma vez um sonho...


Porque alguém me disse um dia que de sonhos é feita a vida...

Foi um dia torbulento
Aquele em decidiste nascer.
Ficámos com os corações nas mãos,
Até ao momento de te conhecer.

E se já te conheciamos bem,
E o teu rosto todos conseguiamos delinear,
Vieste mostrar-nos, e bem,
Que nínguem, na verdade, o tinha conseguido concretizar.

Linda como a mãe...
Foi o que primeiro se pensou.
Para mais tarde concluir que, também,
Muito ao pai puxou.

Muito mudaste desde então.
Mas é com um crescente encanto,
Que a cada econtro,
Nos enches de emoção.

24 setembro 2006

Estás Bem?!?!

A pergunta surge, não sei muito bem vinda de onde... Ou melhor, saber até sei... Percebê-la... até percebo, embora seja para mim tarefa um pouco dificil compreendê-la.

Surge do facto de escrever algo a alguém que só daqui por uns anos terá a capacidade de compreender o que lhe escrevi: A Marta (hoje com 7 meses e 1 dia)!

Mas porque será que tal é percepcionado como um facto assim tão estranho? Porquê não contar à Marta o que hoje somos, o que sentimos, e o que ela nos faz sentir?!?!

Faz hoje exactamente 7 meses que a vi pela primeira vez... E desse primeiro encontro retive todos os pormenores.

Detalhes de que nunca se irá recordar a não ser pela memória dos outros. É este o motivo pelo qual escrevo à Marta.

Enquanto não pode fazê-lo ela própria, porque não escrevermos nós o "seu primeiro diário"?

Uma forma engraçada de nos relembrarmos também dos momentos únicos que dizem as mamãs: "nunca me irei esquecer"; e que eventualmente ficarão, por sorte, registados nos famosos "Livros do Bebé".

A minha primeira conversa com a Marta foi intensa. Fui "tia de verdade" pela primeira vez (tal como diria a Carlota - a minha sobrinha emprestada de 5 anos); mas foi também muito divertida.

Falámos ...

  • de democracia: "É melhor a menina aprender desde já que lá em casa quem manda são as mulheres". É essencial ensiná-los bem desde que chegam a este mundo!
  • de beleza. Ela era linda! Com ar de mexicanita. Ou como continua a dizer a Carlota num tom muito ternurento: "Ela é linda! Tem cara de ratita!"
  • de estética... Sim porque apesar de linda, quando cá chegou, a Marta tinha umas unhas já crescidotas: "Não Marta, a menina ainda não tem idade para unhas de gel! Quando for maior, então sim, a tia leva-a à Dulce."
  • ainda sobre beleza... sobre a beleza interior. Sobre a beleza do que nos conseguiu a todos fazer sentir. Da frescura que trouxe a todas as nossas vidas. Dos sentimentos que julgamos sempre já ter vivido, mas que nos surgem sempre como uma novidade avassaladora.

De lá para cá, muitas têm sido as conversas que temos tido. Umas mais "profundas" do que outras, mas todas elas únicas...

Mais que tudo, o que vamos, entrelinhas, ensinado à Marta, esperando que de facto profundamente se enraíze... é a arte do dar e receber.

Num contexto completamente distinto, não tão cor-de-rosa como o da Marta, dizia uma criança ter encontrado "no dar aos outros" a sua fonte de alegria e de felicidade. Ao que alguém lhe respondia que "Há muita gente que nunca descobre essa verdade."

Espero que a Marta a descubra um dia!

06 junho 2006

À minha Mãe


Em total concordância com a nossa querida Marta, quando dizia:

“Mas sabias, papá, que o dia do pai comemorar,
É um bocadinho como o Natal?
Cabe-nos a nós lembrar,
De todos os dias fazer um especial!”

E não fosse a nossa macaquita uma miúda fenomenal...:

“Venho agora eu também dizer
Que sei que tenho a melhor mãe do mundo!
De quem muito gosto e com quem muito tenho para aprender,
Dizendo-o do coração! Lá do fundo!”


Não querendo à minha amada sobrinha,
As suas palavras usurpar,
A melhor não é a dela! É a minha!
A mãe, a mulher que nasci para amar!

A uma mulher linda, mãe maravilhosa,
Não significando por isso, uma relação, por vezes, menos tortuosa...
Gostaria eu de conseguir em poucas palavras dizer,
Tudo o que de bom me fez, me disse (ou não) para me ajudar a crescer.

E como nas nossas vidas crescer é um verbo constante,
E depois de tantos percalços,
Aprendi, também contigo, a valorizar cada instante,
Prezando sempre o que nos une: não os nós, mas sim os laços!

Contando ter-te por perto
Por muitas mais primaveras,
Aqui fica um enorme beijo, um abraço, um aperto,
Para te dizer o que sinto deveras!

Parabéns!

A Cozinha com a Wok – Cozinha para não engordar


Não que te esteja a chamar gorda...
Não faz de todo parte das minhas ideias!
São apenas umas sugestões para poder andar na moda,
Até porque vestir 36... só sem fritos, gorduras e geleias!

Como agora demos numa de cozinha saudável,
Por vezes, cozinham-se umas coisas insípidas.
Mas ouvi dizer que cozinhar na wok é agradável,
E que se fazem umas coisas diferentes, evitando as repetidas!

01 junho 2006

Cozinha essencial


Para uma criança grande,
Que quase sempre é uma grande criança,
Uma prenda que me disse um duende,
Para além de desejada, me vai encher a pança.

Sim, porque agora não temos desculpas,
Para evitar deliciosos repastos preparar!
Temos receitas de tudo! Até de sopas!
Ai que grandes iguarias vamos saborear...

Como para além de todos termos sido crianças um dia,
Por isso termos de continuar a fazer,
Pergunto-te agora eu: então e o pai, o tio, as primas, a tia...?
Onde estão as prendas? Aquelas que nos dariam tanto prazer?

Oh Tia... Um Livro das Sopas? Porquê?

Vamos lá então a saber.
Sabes Marta que pela tua elegância,
Ninguém diria que foi com muita relutância,
Que as sopas começaste a comer.

"Oh Tia, que conversa tão complicada!
Eu mal falo, quanto mais perceber...
Parece-me uma grande trapalhada,
Tudo que me estás a dizer!"

A Tia um bocadinho melhor vai tentar explicar.
Mas isto de ser grande é complicado...
Às vezes parece que não sabemos falar!

Quando eras pequenina a sopa não querias comer
E isso não podia ser,
porque tinhas de crescer!

Mas sabes Marta, o Sr. da Bata Branca foi muito teu amigo.
Disse à mamã para não se zangar contigo!
E depois de uns dias só a papas e da sopa adocicada,
Passaste a ser sempre uma menina muito bem comportada.

Mas sabes Marta,
Os meninos têm manhas!
Tantas que às vezes até farta!
E arranjam muitas artimanhas,
Daquelas que dão às mamãs dores de cabeça tamanhas!

Não fosses tu ter uma ideia tresloucada um dia
E pensar em a sopa não comer,
Vi esta história com que, achou a Tia,
Muito podes aprender!

Vais ver que é divertida!
E que a Marta da história, apesar das artimanhas,
é uma menina muito querida!

De tudo, o mais importante
É que uma coisa aprendeu a outra Marta:
A manha pode ser gigante,
Mas de descobrir coisas novas e de a sopa sempre comer
Nunca mais ela ficou farta!

Sabes quem é o Chico Martuxa?!?!
É aquele que te vai ajudar a ficar gorduxa!

Beijocas da Tia Vera

23 março 2006

Papá Ricardo


Como ainda não sei falar,
E tenho alguma dificuldade em me expressar,
Aproveito que a tia tem sonhos loucos,
Para vos ir falando aos poucos!

(Papá,
Desculpa lá a tia Vera!?!
Ela não é má...
Só ainda não consegue fazer mágicas, quem dera!)

Isto de te comprar prendas, é muito complicado!
Mas a mamã deu-me uma ajuda preciosa!
Ela diz que tenho a quem sair vaidosa:
Ao meu querido papá Ricardo!

Mas apesar do atraso,
Que nos trouxe algum embaraço...
De ti não me esqueci!
E eis a minha prenda, para te dizer o quanto gosto de ti!

Espero que seja do teu agrado, já que não sabia o que te dar!
O mundo, ainda mal o conheço ...
Mas parece-me que esta prenda é um bom começo
Para te dizer que uma das minhas poucas certezas, é a de muito te amar!

Mas sabias, papá, que o dia do pai comemorar,
É um bocadinho como o Natal?
Cabe-nos a nós lembrar,
De todos os dias fazer um especial!

Tal como à tia pedi para dizer à mamã,
Digo-to a ti também: tenho o melhor pai do mundo,
Ontem, hoje, amanhã....
Sempre e a acima de tudo!

Desejo-te de um dia muito feliz!
Eu! A Marta! A tua petiz!