24 fevereiro 2026

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez!

 


Minha querida Princesa,

Perguntava-me ontem a avó em que tempo verbal eu te conjugava. Conjugo-te no presente. E muito embora te possa conjugar no imperfeito para me tornar mais inteligível aos outros, cá dentro, vou continuar sempre a conjugar-te no presente.

Por mais voltas que dê ao texto ou por mais lágrimas que corram quando tenho saudade, não te sei conjugar noutro tempo. Porque, mais do que fazeres parte da minha vida, fazes parte de mim.

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez. E por isso celebro-te! Celebro-te procurando sempre a tua essência, num misto de teimosia, assertividade, inocência e de loucura. Procurando sempre o teu dócil sorriso ou a tua inebriante gargalhada.

Desafiante e desafiadora desde o primeiro dia. Persistente e provocadora. Dócil e impetuosa. Com um gosto pela vida e uma sede de viver que não conheço a muita gente. Com uma intensidade, por vezes, exasperante, que me deixava tantas vezes exaurida.

Sinto falta da tua intensidade, da tua gargalhada e do teu abraço.

Sem disso ter muita consciência, aprendi tando tanto contigo, Marta. E na tua ausência continuo a aprender. Sobre mim e sobre os outros, mesmo aqueles que nos são mais próximos. Não nos podemos surpreender contigo, mas surpreendemo-nos com os outros através de ti quando partilhamos e te partilhamos.

Ontem, se nos viste, tinhas, com toda a certeza, um sorriso de orelha a orelha e um brilho nos olhos enquanto completavas a frase do avô: “Gosto muito de ti, Amo-te muito…”.

“Dorme bem e sonha comigo.” – disseste-o, com toda a certeza.

O avô pedia-te que cuidasses de nós. Nós cuidaremos sempre de ti, Princesa.

Obrigada Martinha, por fazeres parte das nossas vidas. E, daqui a um ano, celebraremos mais um em que fui tia, Princesa, pela minha primeira vez!