17 abril 2026

Já te disse hoje o quanto gosto de ti?

 

Sei que sim. E pudesse, dir-to-ia a cada segundo.

Obrigada pela partilha (cartas da tu última missão no Torrão). Mesmo!

Sabes que nós, pais (e as mães talvez um pouco mais…. 😉), temos muitas certezas sobre as pessoas que colocámos neste mundo e que moldámos em função do que nos parece ser o mais certo. Temos muitas certezas sobre a “qualidade” do nosso trabalho e da “qualidade do produto final…

Nem sempre é bem assim…

Queremos muitas vezes convencer-nos de que não poderíamos, de facto, ter feito melhor com o conhecimento e com as “armas” de que dispúnhamos ao longo de cada fase do vosso crescimento.

Às vezes vêm as dúvidas, e achamos que:

1º Podíamos ter feito melhor, que falhámos nalgumas coisas, que podíamos ter passado melhor a informação;

2º que vocês, por qualquer que seja a razão, teimam em não pôr em prática o que vos ensinámos e continuamos a ensinar.

A crítica, que se pretende construtiva, nem sempre é entendida assim… Porém, entende que apenas o fazemos porque vos sabemos capazes de conseguir chegar ainda mais próximo da excelência.

Não é intencional o peso que te possamos colocar em cima (e tenho a consciência de que por vezes isso acontece).

É antes resultado de um imenso amor e orgulho que tenho em ti; e, por vezes, aborrece-me que, às vezes por “preguiça” não te manifestes como o miúdo espetacular que és.

E depois…

Depois abres-me uma porta (uma janela, vá! 😊) para o teu mundo… E o meu peito cresce.

Cresce de orgulho, mas mais que tudo cresce por ti:

Por te ver orgulhoso, confiante, feliz e realizado.

Por te perceber reconhecido pelos teus pares, não apenas pelo que fazes, mas acima de tudo, por quem és.

Imensamente feliz por perceber que o Tiago “Confiançudo” a toda a hora se apaga de vez em quando, dando lugar a um Tiago mais vulnerável e empático que se permite ser ajudado, ajudando também os outros nos seus percursos/processos (sejam eles de fé ou não).

Gosto muito de te saber gostado!

Já te disse hoje o quanto gosto de ti? To the moon and back!

Um beijo.

Mãe


15 abril 2026

Ontem, voltaram a minha casa... Que Bom!

Gostei tanto de os ter por perto. De forma totalmente inesperada.

Quinta-feira. Dia de Teletrabalho. Recebi um telefonema dela. Perguntou-me se estava sózinha. Disse-lhe que não. O Tiago já tinha voltado das aulas e o Pedro estava também em teletrabalho.

A conversa tinha durado, até então, pouco mais de um minuto. Preparava-se para se despedir. Estranhei o conteúdo do telefonema e disse-lho: "Ligas-me para me perguntar se estou sózinha em casa?!?! O que é que me querias realmente dizer?"

O Ricardo o que fazer em Cascais. Perguntou-lhe se queria ir ter comigo. Hesitou pela presença do Pedro e do Tiago (um estava trancado no quarto o outro tinha-se deixado dormir no sofá).

Insisti para que viesse, que não daria pela presença dos dois. 

Disse-me que logo decidiria.

Não me avisou que viria. Ouvi o portão abrir e um Tico com um ladrar feliz de quem me avisa que chegou alguém de quem gosta. logo de seguida este ladrar fez-se acompanhar de uma gargalhada que reconheci de imediato como a nova gargalhada da nossa boneca.

Estivemos à conversa. Primeiro as duas. Depois a Boneca juntou-se, e, por fim o Tiago também.

Foi um momento bem passado enquanto eles saboreavam panquecas.

A Marta surgiu, como sempre. De forma leve e natural. Ainda rimos com histórias suas, dos quatro, em Paris, entre outras. 

Incrível como ainda vamos descobrindo coisas de que nunca falámos.

Ainda te estou a descobrir, Martinha...

E só depois de saírem é que me dei conta de que a última vez que os dois (os teus pais) tinham estado em minha casa, foi no dia de Natal. 

É estranho que a minha casa seja de repente um sítio onde as pessoas tenham receio de voltar por ter sido palco de algumas das últimas memórias que criámos contigo.

O avô teve o mesmo receio. Porém foi tão bom tê-lo superado e ter decidido estar connosco na Páscoa. Criámos novas e boas memórias esta Páscoa, Martinha. 

ADORARIAS ter estado presente. Sei que teria sido para ti fonte de satisfação e felicidade. Foi um bom dia e juntámos a esse nosso dia a Zita, de quem tanto gostavas.

Consigo ouvir agora a gargalhada que terias soltado. O disparate que terias dito. Vejo o teu doce sorriso de quem se diz contente por mais um se juntar a nós e tornar-se nosso.

Gosto de ti, Martinha. Muito! To the moon and back. Até à eternidade seria uma expressão que utilizaria, mas que agora, e embora se mantenha fiel ao que sinto, ganhou um peso, uma verosimilhança que não me apetece...

Queria tanto sentir agora o calor do teu abraço e o teu cheiro... Não me consigo lembrar do teu cheiro, meu amor. Por alguma razão ando atrás dele e não o consigo recuperar.

Deixa-me sonhar contigo, Princesa... e sentir-te.