Gostei tanto de os ter por perto. De forma totalmente inesperada.
Quinta-feira. Dia de Teletrabalho. Recebi um telefonema dela. Perguntou-me se estava sózinha. Disse-lhe que não. O Tiago já tinha voltado das aulas e o Pedro estava também em teletrabalho.
A conversa tinha durado, até então, pouco mais de um minuto. Preparava-se para se despedir. Estranhei o conteúdo do telefonema e disse-lho: "Ligas-me para me perguntar se estou sózinha em casa?!?! O que é que me querias realmente dizer?"
O Ricardo o que fazer em Cascais. Perguntou-lhe se queria ir ter comigo. Hesitou pela presença do Pedro e do Tiago (um estava trancado no quarto o outro tinha-se deixado dormir no sofá).
Insisti para que viesse, que não daria pela presença dos dois.
Disse-me que logo decidiria.
Não me avisou que viria. Ouvi o portão abrir e um Tico com um ladrar feliz de quem me avisa que chegou alguém de quem gosta. logo de seguida este ladrar fez-se acompanhar de uma gargalhada que reconheci de imediato como a nova gargalhada da nossa boneca.
Estivemos à conversa. Primeiro as duas. Depois a Boneca juntou-se, e, por fim o Tiago também.
Foi um momento bem passado enquanto eles saboreavam panquecas.
A Marta surgiu, como sempre. De forma leve e natural. Ainda rimos com histórias suas, dos quatro, em Paris, entre outras.
Incrível como ainda vamos descobrindo coisas de que nunca falámos.
Ainda te estou a descobrir, Martinha...
E só depois de saírem é que me dei conta de que a última vez que os dois (os teus pais) tinham estado em minha casa, foi no dia de Natal.
É estranho que a minha casa seja de repente um sítio onde as pessoas tenham receio de voltar por ter sido palco de algumas das últimas memórias que criámos contigo.
O avô teve o mesmo receio. Porém foi tão bom tê-lo superado e ter decidido estar connosco na Páscoa. Criámos novas e boas memórias esta Páscoa, Martinha.
ADORARIAS ter estado presente. Sei que teria sido para ti fonte de satisfação e felicidade. Foi um bom dia e juntámos a esse nosso dia a Zita, de quem tanto gostavas.
Consigo ouvir agora a gargalhada que terias soltado. O disparate que terias dito. Vejo o teu doce sorriso de quem se diz contente por mais um se juntar a nós e tornar-se nosso.
Gosto de ti, Martinha. Muito! To the moon and back. Até à eternidade seria uma expressão que utilizaria, mas que agora, e embora se mantenha fiel ao que sinto, ganhou um peso, uma verosimilhança que não me apetece...
Queria tanto sentir agora o calor do teu abraço e o teu cheiro... Não me consigo lembrar do teu cheiro, meu amor. Por alguma razão ando atrás dele e não o consigo recuperar.
Deixa-me sonhar contigo, Princesa... e sentir-te.

Sem comentários:
Enviar um comentário