19 junho 2026

Amo-vos muito! Durmam bem! Sonhem comigo!

 


Minha querida Marta...

O que não daria eu para sonhar contigo.... A avó mandou-nos esta imagem no sábado e, não sei como, não dei por ela. 

Deus escrevendo direito por linhas tortas? Não sei.... Mas sei que hoje estava a precisar deste teu sorriso, uma imagem que parece quase premonitória. Espero que, de facto estejas bem e feliz, zelando por nós, tanto quanto zelamos e cuidamos da tua memória.

Na incerteza de onde estás e de como estás (ver para crer não é agora possível e isso faz-nos muita falta), a avó teve uma conversa com a Rosário sobre :
  • as missas que todos estão a mandar rezar por ti (nisso a Rosário tem sido exímia) 
  • e porque que é que o fazemos (minha querida... se é isso que te salva de qualquer coisa nessa tua nova dimensão, estás garantida! - tantas têm sido as missas que manda rezar!) . 
[Um à parte: 😅😂😂😂😂 Tenho a certeza de que agora, se de alguma forma me sentes/ouves/vês, estás de cabeça bem para trás, com o teu longo cabelo caído pelas costas, a soltar uma daquelas tuas sonoras gargalhadas que  terminariam num interminável riso coletivo que ninguém conseguiria parar.]

A resposta?... A do dogma: rezamos pelas almas que estão no purgatório... As missas servem para parar as chamas que as queimam. O efeito é instantâneo. É rezada a missa e o "castigo" é suspenso com efeitos imediatos...

Rezo-te e rezo por ti por outros motivos Martinha. Rezo como uma forma de te manter viva e para que te sintas acompanhada e com a certeza de que não te esqueceremos. 

Pecados? Existiram alguns... 😅😂! Quem não?!?! Mas não os que te merecessem castigo. Infelizmente o teu (mais do que alguma vez algum de nós o conseguisse avaliar) foi por cá. E tenho toda a certeza que, a existir, não mereces purgatório algum, Martinha. 

O meu Deus, aquele que me ensinou a minha Tia Marichen, jamais permitiria tamanha injustiça.

Sabes de uma coisa de que amiúdo me vou relembrando porque me aproxima muito de ti? 

É algo que, sem consciência (de ambas), me foste ensinado nos últimos 20 anos (e que todos nós, adultos, por vezes, tentávamos travar - que estupidez!): o sonho. 

O sonho desmedido - muitas vezes incompreensível aos olhos dos outros. Quase "esquizofrénico" porque totalmente inatingível. 

Tinhas razão, Marta... mais vale sonhar grande.

Ainda não consigo sonhar, nem tão pouco sonhar tão grande como tu, mas vou tentando esforçar-me por isso. Sei que lá chegarei. Antes de mais, estou a tentar transformar a dor em doçura da saudade.

Que saudades dos teus exageros, minha querida!

Amo-te muito! Dorme bem! Deixa-me sonhar contigo!

16 junho 2026

Há dias que são tão estranhos minha querida Marta.


 Acordei bem disposta. Um bocadinho ansiosa pelo Tiago que ia fazer exame de português. Mas, de forma geral, tranquila.

Subitamente, a garganta apertou-se-me. Senti um nó do estômago. E a minha mente foi invadida por um conjunto de pensamentos e imagens, alguns já nem consigo nomear…

Vieste-me à memória naquele que foi o dia mais… nem te sei explicar minha querida…

Veio-me à memória, física até, o momento em que receb a noticia de que já não estavas entre nós. O momento em que tive de dizer à avó Zita que tinhas morrido minha querida. O sentimento de perda. A sensação inerente ao nunca facto de que mais te vou ver, tocar, abraçar, sentir, cheirar, mimar-te e ser mimada por ti.

Que saudades que tenho de rir contigo só porque sim. sem motivo e com total ausência de controlo. 

Que saudades Martinha! 

25 maio 2026

Que saudades Martinha!

  

O fim de semana que passou foi um FDS cheio. 

Cheio de coisas boas, memórias incríveis, casa cheia de amigos e de gente nova (amigos do Tiago e os pais de um deles). Festa como tu gostas! Muito barulho. Muita gente. E muita gente feliz!

Foi também um FDS cheio de saudades tuas!

Sei que não haveria nada neste mundo que te demovesse de estar presente. Consigo ver-te inchada de orgulho do Tiago, cheia de conselhos para dar.... Daqueles dias em que serias tão melga, tão melga.... Como só tu sabias ser melga.

Queria tanto ter sentido o teu abraço, os teus beijos e as tuas gargalhadas porque sei que teria sido um FDS muito feliz para ti.

Lembrei-me de ti a cada momento.

Levei-te comigo para o Crisma do Tiago. Tive-te sempre presente na minha mente. Escolhi vestir-me de verde... e usei a pulseira que te trouxemos de Roma.

Mas muito para além disso sentimos-te presente... 

No domingo, quando acordou, perguntei ao Tiago se tinha gostado do dia anterior. 

Respondeu-me que muito. 

Perguntou-me se eu tinha gostado da missa do Crisma. 

Respondi-lhe que sim. 

Perguntou-me se tinha reparado nalguma coisa em particular. 

Respondi-lhe que sim sem responder exatamente o quê.

Sem querer partilhar comigo o que tinha sentido de especial para não me influenciar, perguntou-me em que é que eu tinha reparado.

O Bispo que celebrou a missa, sem ter qualquer ligação ao Tiago ou aos Salesianos, quando estava a fazer as intenções pediu pelos crismados, pelas famílias e pelos que já partiram. 

Fez uma pausa e pediu em particular pelos que partiram recentemente e que marcaram as vidas daqueles que foram crismados naquela cerimónia.

O Tiago ouviu o mesmo que eu. Os teus pais ouviram o teu nome…

Partilhei-te com as pessoas com quem estive nestes dois dias e que não sabiam sequer da tua existência.

E foi tão bom partilhar-te, Martinha. Porque a cada vez que o faço apesar da comoção, da dor da tua ausência, não te sei explicar bem porquê, a saudade torna-se um pouco mais doce. 

Apesar de continuar a sentir um nó na garganta, é impossível falar de ti sem falar de riso, alegria e doçura (a par da estroinice, da teimosia, etc. Mas sabes uma coisa?!?! Houve alturas em que não lhes achei graça nenhuma, mas agora até essas coisas me fazem sorrir).

Houve promessas que te fiz que não cumpri. Porém a promessa de nunca te esquecer e de não deixar que sejas esquecida, cumprirei sempre, até ao meu último dia. 

Quando o Tiago era pequenino e ficava com muitas saudades minhas quando estava em Ribamar, com os avós, durante alguns dias; a tia costumava dizer-lhe que as saudades eram boas porque quando nos víssemos as íamos matar com muitos beijinhos e abracinhos. 

Quero muito acreditar que um dia as vamos conseguir matar Martinha. Melgas/lapas como somos as duas acho que não nos largaremos durante algum tempo 😂🤣.


17 abril 2026

Já te disse hoje o quanto gosto de ti?

 

Sei que sim. E pudesse, dir-to-ia a cada segundo.

Obrigada pela partilha (cartas da tu última missão no Torrão). Mesmo!

Sabes que nós, pais (e as mães talvez um pouco mais…. 😉), temos muitas certezas sobre as pessoas que colocámos neste mundo e que moldámos em função do que nos parece ser o mais certo. Temos muitas certezas sobre a “qualidade” do nosso trabalho e da “qualidade do produto final…

Nem sempre é bem assim…

Queremos muitas vezes convencer-nos de que não poderíamos, de facto, ter feito melhor com o conhecimento e com as “armas” de que dispúnhamos ao longo de cada fase do vosso crescimento.

Às vezes vêm as dúvidas, e achamos que:

1º Podíamos ter feito melhor, que falhámos nalgumas coisas, que podíamos ter passado melhor a informação;

2º que vocês, por qualquer que seja a razão, teimam em não pôr em prática o que vos ensinámos e continuamos a ensinar.

A crítica, que se pretende construtiva, nem sempre é entendida assim… Porém, entende que apenas o fazemos porque vos sabemos capazes de conseguir chegar ainda mais próximo da excelência.

Não é intencional o peso que te possamos colocar em cima (e tenho a consciência de que por vezes isso acontece).

É antes resultado de um imenso amor e orgulho que tenho em ti; e, por vezes, aborrece-me que, às vezes por “preguiça” não te manifestes como o miúdo espetacular que és.

E depois…

Depois abres-me uma porta (uma janela, vá! 😊) para o teu mundo… E o meu peito cresce.

Cresce de orgulho, mas mais que tudo cresce por ti:

Por te ver orgulhoso, confiante, feliz e realizado.

Por te perceber reconhecido pelos teus pares, não apenas pelo que fazes, mas acima de tudo, por quem és.

Imensamente feliz por perceber que o Tiago “Confiançudo” a toda a hora se apaga de vez em quando, dando lugar a um Tiago mais vulnerável e empático que se permite ser ajudado, ajudando também os outros nos seus percursos/processos (sejam eles de fé ou não).

Gosto muito de te saber gostado!

Já te disse hoje o quanto gosto de ti? To the moon and back!

Um beijo.

Mãe


15 abril 2026

Ontem, voltaram a minha casa... Que Bom!

Gostei tanto de os ter por perto. De forma totalmente inesperada.

Quinta-feira. Dia de Teletrabalho. Recebi um telefonema dela. Perguntou-me se estava sózinha. Disse-lhe que não. O Tiago já tinha voltado das aulas e o Pedro estava também em teletrabalho.

A conversa tinha durado, até então, pouco mais de um minuto. Preparava-se para se despedir. Estranhei o conteúdo do telefonema e disse-lho: "Ligas-me para me perguntar se estou sózinha em casa?!?! O que é que me querias realmente dizer?"

O Ricardo o que fazer em Cascais. Perguntou-lhe se queria ir ter comigo. Hesitou pela presença do Pedro e do Tiago (um estava trancado no quarto o outro tinha-se deixado dormir no sofá).

Insisti para que viesse, que não daria pela presença dos dois. 

Disse-me que logo decidiria.

Não me avisou que viria. Ouvi o portão abrir e um Tico com um ladrar feliz de quem me avisa que chegou alguém de quem gosta. logo de seguida este ladrar fez-se acompanhar de uma gargalhada que reconheci de imediato como a nova gargalhada da nossa boneca.

Estivemos à conversa. Primeiro as duas. Depois a Boneca juntou-se, e, por fim o Tiago também.

Foi um momento bem passado enquanto eles saboreavam panquecas.

A Marta surgiu, como sempre. De forma leve e natural. Ainda rimos com histórias suas, dos quatro, em Paris, entre outras. 

Incrível como ainda vamos descobrindo coisas de que nunca falámos.

Ainda te estou a descobrir, Martinha...

E só depois de saírem é que me dei conta de que a última vez que os dois (os teus pais) tinham estado em minha casa, foi no dia de Natal. 

É estranho que a minha casa seja de repente um sítio onde as pessoas tenham receio de voltar por ter sido palco de algumas das últimas memórias que criámos contigo.

O avô teve o mesmo receio. Porém foi tão bom tê-lo superado e ter decidido estar connosco na Páscoa. Criámos novas e boas memórias esta Páscoa, Martinha. 

ADORARIAS ter estado presente. Sei que teria sido para ti fonte de satisfação e felicidade. Foi um bom dia e juntámos a esse nosso dia a Zita, de quem tanto gostavas.

Consigo ouvir agora a gargalhada que terias soltado. O disparate que terias dito. Vejo o teu doce sorriso de quem se diz contente por mais um se juntar a nós e tornar-se nosso.

Gosto de ti, Martinha. Muito! To the moon and back. Até à eternidade seria uma expressão que utilizaria, mas que agora, e embora se mantenha fiel ao que sinto, ganhou um peso, uma verosimilhança que não me apetece...

Queria tanto sentir agora o calor do teu abraço e o teu cheiro... Não me consigo lembrar do teu cheiro, meu amor. Por alguma razão ando atrás dele e não o consigo recuperar.

Deixa-me sonhar contigo, Princesa... e sentir-te. 


24 fevereiro 2026

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez!

 


Minha querida Princesa,

Perguntava-me ontem a avó em que tempo verbal eu te conjugava. Conjugo-te no presente. E muito embora te possa conjugar no imperfeito para me tornar mais inteligível aos outros, cá dentro, vou continuar sempre a conjugar-te no presente.

Por mais voltas que dê ao texto ou por mais lágrimas que corram quando tenho saudade, não te sei conjugar noutro tempo. Porque, mais do que fazeres parte da minha vida, fazes parte de mim.

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez. E por isso celebro-te! Celebro-te procurando sempre a tua essência, num misto de teimosia, assertividade, inocência e de loucura. Procurando sempre o teu dócil sorriso ou a tua inebriante gargalhada.

Desafiante e desafiadora desde o primeiro dia. Persistente e provocadora. Dócil e impetuosa. Com um gosto pela vida e uma sede de viver que não conheço a muita gente. Com uma intensidade, por vezes, exasperante, que me deixava tantas vezes exaurida.

Sinto falta da tua intensidade, da tua gargalhada e do teu abraço.

Sem disso ter muita consciência, aprendi tando tanto contigo, Marta. E na tua ausência continuo a aprender. Sobre mim e sobre os outros, mesmo aqueles que nos são mais próximos. Não nos podemos surpreender contigo, mas surpreendemo-nos com os outros através de ti quando partilhamos e te partilhamos.

Ontem, se nos viste, tinhas, com toda a certeza, um sorriso de orelha a orelha e um brilho nos olhos enquanto completavas a frase do avô: “Gosto muito de ti, Amo-te muito…”.

“Dorme bem e sonha comigo.” – disseste-o, com toda a certeza.

O avô pedia-te que cuidasses de nós. Nós cuidaremos sempre de ti, Princesa.

Obrigada Martinha, por fazeres parte das nossas vidas. E, daqui a um ano, celebraremos mais um em que fui tia, Princesa, pela minha primeira vez!


23 janeiro 2026

Falaste-me hoje em sonhos?

  “Hoje a Marta falou-me em sonhos e pediu-me que vos fosse falando aos poucos”, contava eu há quase 20 atrás.

Não sei se hoje, através dos meu sonhou loucos, me voltaste a tentar falar… O que sei é que acordei com a sensação de que o sono/sonho deveria ter continuado. Com a sensação de que ficou qualquer coisa no ar que a minha memória consciente não reteve.

Foi estranho o sonho que tive.

Estava o Ricardo Araújo Pereira a apresentar um dos seus programas/Podcasts. Tinha como convidado/participante o Padre Paulo Duarte SJ, porém apresenta com algum recato o nosso Ricardo como convidado de honra porque o tema eras tu, Marta…

Acordei. E não me lembro de mais nada.

12 janeiro 2026

Amo-te muito! Dorme Bem! Sonha comigo!

 

24 setembro 2006

Faz hoje exatamente 7 meses que a vi pela primeira vez... E desse primeiro encontro retive todos os pormenores.

Detalhes de que nunca se irá recordar a não ser pela memória dos outros. É este o motivo pelo qual escrevo à Marta. Enquanto não pode fazê-lo ela própria, porque não escrevermos nós o "seu primeiro diário"?

Uma forma engraçada de nos relembrarmos também dos momentos únicos que dizem as mamãs: "nunca me irei esquecer"; e que eventualmente ficarão, por sorte, registados nos famosos "Livros do Bebé".

A minha primeira conversa com a Marta foi intensa. Fui "tia de verdade" pela primeira vez (tal como diria a Carlota – a minha sobrinha emprestada de 5 anos); mas foi também muito divertida.

Falámos ...

  • de democracia: "É melhor a menina aprender desde já que lá em casa quem manda são as mulheres". É essencial ensiná-los bem desde que chegam a este mundo!
  • de beleza. Ela era linda! Com ar de mexicanita. Ou como continua a dizer a Carlota num tom muito ternurento: "Ela é linda! Tem cara de ratita!"
  • de estética... Sim porque apesar de linda, quando cá chegou, a Marta tinha umas unhas já crescidotas: "Não Marta, a menina ainda não tem idade para unhas de gel! Quando for maior, então sim, a tia leva-a à Dulce."
  • ainda sobre beleza... sobre a beleza interior. Sobre a beleza do que nos conseguiu a todos fazer sentir. Da frescura que trouxe a todas as nossas vidas. Dos sentimentos que julgamos sempre já ter vivido, mas que nos surgem sempre como uma novidade avassaladora.

De lá para cá, muitas têm sido as conversas que temos tido. Umas mais "profundas" do que outras, mas todas elas únicas...

Mais que tudo, o que vamos, entrelinhas, ensinado à Marta, esperando que de facto profundamente se enraíze... é a arte do dar e receber.

Num contexto completamente distinto, não tão cor-de-rosa como o da Marta, ouvi uma criança dizer ter encontrado "no dar aos outros" a sua fonte de alegria e de felicidade. Ao que alguém lhe respondia que "Há muita gente que nunca descobre essa verdade." Espero que a Marta a descubra um dia!

A Marta descobriu! E como nos dizes todos os dias que falas connosco ao final da noite: Amo-te muito! Dorme Bem! Sonha comigo!