
Minha querida Marta...
O que não daria eu para sonhar contigo.... A avó mandou-nos esta imagem no sábado e, não sei como, não dei por ela.
Deus escrevendo direito por linhas tortas? Não sei.... Mas sei que hoje estava a precisar deste teu sorriso, uma imagem que parece quase premonitória. Espero que, de facto estejas bem e feliz, zelando por nós, tanto quanto zelamos e cuidamos da tua memória.
Na incerteza de onde estás e de como estás (ver para crer não é agora possível e isso faz-nos muita falta), a avó teve uma conversa com a Rosário sobre :
- as missas que todos estão a mandar rezar por ti (nisso a Rosário tem sido exímia)
- e porque que é que o fazemos (minha querida... se é isso que te salva de qualquer coisa nessa tua nova dimensão, estás garantida! - tantas têm sido as missas que manda rezar!) .
[Um à parte: 😅😂😂😂😂 Tenho a certeza de que agora, se de alguma forma me sentes/ouves/vês, estás de cabeça bem para trás, com o teu longo cabelo caído pelas costas, a soltar uma daquelas tuas sonoras gargalhadas que terminariam num interminável riso coletivo que ninguém conseguiria parar.]
A resposta?... A do dogma: rezamos pelas almas que estão no purgatório... As missas servem para parar as chamas que as queimam. O efeito é instantâneo. É rezada a missa e o "castigo" é suspenso com efeitos imediatos...
Rezo-te e rezo por ti por outros motivos Martinha. Rezo como uma forma de te manter viva e para que te sintas acompanhada e com a certeza de que não te esqueceremos.
Pecados? Existiram alguns... 😅😂! Quem não?!?! Mas não os que te merecessem castigo. Infelizmente o teu (mais do que alguma vez algum de nós o conseguisse avaliar) foi por cá. E tenho toda a certeza que, a existir, não mereces purgatório algum, Martinha.
O meu Deus, aquele que me ensinou a minha Tia Marichen, jamais permitiria tamanha injustiça.
Sabes de uma coisa de que amiúdo me vou relembrando porque me aproxima muito de ti?
É algo que, sem consciência (de ambas), me foste ensinado nos últimos 20 anos (e que todos nós, adultos, por vezes, tentávamos travar - que estupidez!): o sonho.
O sonho desmedido - muitas vezes incompreensível aos olhos dos outros. Quase "esquizofrénico" porque totalmente inatingível.
Tinhas razão, Marta... mais vale sonhar grande.
Ainda não consigo sonhar, nem tão pouco sonhar tão grande como tu, mas vou tentando esforçar-me por isso. Sei que lá chegarei. Antes de mais, estou a tentar transformar a dor em doçura da saudade.
Que saudades dos teus exageros, minha querida!
Amo-te muito! Dorme bem! Deixa-me sonhar contigo!