19 junho 2026

Amo-vos muito! Durmam bem! Sonhem comigo!

 


Minha querida Marta...

O que não daria eu para sonhar contigo.... A avó mandou-nos esta imagem no sábado e, não sei como, não dei por ela. 

Deus escrevendo direito por linhas tortas? Não sei.... Mas sei que hoje estava a precisar deste teu sorriso, uma imagem que parece quase premonitória. Espero que, de facto estejas bem e feliz, zelando por nós, tanto quanto zelamos e cuidamos da tua memória.

Na incerteza de onde estás e de como estás (ver para crer não é agora possível e isso faz-nos muita falta), a avó teve uma conversa com a Rosário sobre :
  • as missas que todos estão a mandar rezar por ti (nisso a Rosário tem sido exímia) 
  • e porque que é que o fazemos (minha querida... se é isso que te salva de qualquer coisa nessa tua nova dimensão, estás garantida! - tantas têm sido as missas que manda rezar!) . 
[Um à parte: 😅😂😂😂😂 Tenho a certeza de que agora, se de alguma forma me sentes/ouves/vês, estás de cabeça bem para trás, com o teu longo cabelo caído pelas costas, a soltar uma daquelas tuas sonoras gargalhadas que  terminariam num interminável riso coletivo que ninguém conseguiria parar.]

A resposta?... A do dogma: rezamos pelas almas que estão no purgatório... As missas servem para parar as chamas que as queimam. O efeito é instantâneo. É rezada a missa e o "castigo" é suspenso com efeitos imediatos...

Rezo-te e rezo por ti por outros motivos Martinha. Rezo como uma forma de te manter viva e para que te sintas acompanhada e com a certeza de que não te esqueceremos. 

Pecados? Existiram alguns... 😅😂! Quem não?!?! Mas não os que te merecessem castigo. Infelizmente o teu (mais do que alguma vez algum de nós o conseguisse avaliar) foi por cá. E tenho toda a certeza que, a existir, não mereces purgatório algum, Martinha. 

O meu Deus, aquele que me ensinou a minha Tia Marichen, jamais permitiria tamanha injustiça.

Sabes de uma coisa de que amiúdo me vou relembrando porque me aproxima muito de ti? 

É algo que, sem consciência (de ambas), me foste ensinado nos últimos 20 anos (e que todos nós, adultos, por vezes, tentávamos travar - que estupidez!): o sonho. 

O sonho desmedido - muitas vezes incompreensível aos olhos dos outros. Quase "esquizofrénico" porque totalmente inatingível. 

Tinhas razão, Marta... mais vale sonhar grande.

Ainda não consigo sonhar, nem tão pouco sonhar tão grande como tu, mas vou tentando esforçar-me por isso. Sei que lá chegarei. Antes de mais, estou a tentar transformar a dor em doçura da saudade.

Que saudades dos teus exageros, minha querida!

Amo-te muito! Dorme bem! Deixa-me sonhar contigo!

16 junho 2026

Há dias que são tão estranhos minha querida Marta.


 Acordei bem disposta. Um bocadinho ansiosa pelo Tiago que ia fazer exame de português. Mas, de forma geral, tranquila.

Subitamente, a garganta apertou-se-me. Senti um nó do estômago. E a minha mente foi invadida por um conjunto de pensamentos e imagens, alguns já nem consigo nomear…

Vieste-me à memória naquele que foi o dia mais… nem te sei explicar minha querida…

Veio-me à memória, física até, o momento em que receb a noticia de que já não estavas entre nós. O momento em que tive de dizer à avó Zita que tinhas morrido minha querida. O sentimento de perda. A sensação inerente ao nunca facto de que mais te vou ver, tocar, abraçar, sentir, cheirar, mimar-te e ser mimada por ti.

Que saudades que tenho de rir contigo só porque sim. sem motivo e com total ausência de controlo. 

Que saudades Martinha! 

25 maio 2026

Que saudades Martinha!

  

O fim de semana que passou foi um FDS cheio. 

Cheio de coisas boas, memórias incríveis, casa cheia de amigos e de gente nova (amigos do Tiago e os pais de um deles). Festa como tu gostas! Muito barulho. Muita gente. E muita gente feliz!

Foi também um FDS cheio de saudades tuas!

Sei que não haveria nada neste mundo que te demovesse de estar presente. Consigo ver-te inchada de orgulho do Tiago, cheia de conselhos para dar.... Daqueles dias em que serias tão melga, tão melga.... Como só tu sabias ser melga.

Queria tanto ter sentido o teu abraço, os teus beijos e as tuas gargalhadas porque sei que teria sido um FDS muito feliz para ti.

Lembrei-me de ti a cada momento.

Levei-te comigo para o Crisma do Tiago. Tive-te sempre presente na minha mente. Escolhi vestir-me de verde... e usei a pulseira que te trouxemos de Roma.

Mas muito para além disso sentimos-te presente... 

No domingo, quando acordou, perguntei ao Tiago se tinha gostado do dia anterior. 

Respondeu-me que muito. 

Perguntou-me se eu tinha gostado da missa do Crisma. 

Respondi-lhe que sim. 

Perguntou-me se tinha reparado nalguma coisa em particular. 

Respondi-lhe que sim sem responder exatamente o quê.

Sem querer partilhar comigo o que tinha sentido de especial para não me influenciar, perguntou-me em que é que eu tinha reparado.

O Bispo que celebrou a missa, sem ter qualquer ligação ao Tiago ou aos Salesianos, quando estava a fazer as intenções pediu pelos crismados, pelas famílias e pelos que já partiram. 

Fez uma pausa e pediu em particular pelos que partiram recentemente e que marcaram as vidas daqueles que foram crismados naquela cerimónia.

O Tiago ouviu o mesmo que eu. Os teus pais ouviram o teu nome…

Partilhei-te com as pessoas com quem estive nestes dois dias e que não sabiam sequer da tua existência.

E foi tão bom partilhar-te, Martinha. Porque a cada vez que o faço apesar da comoção, da dor da tua ausência, não te sei explicar bem porquê, a saudade torna-se um pouco mais doce. 

Apesar de continuar a sentir um nó na garganta, é impossível falar de ti sem falar de riso, alegria e doçura (a par da estroinice, da teimosia, etc. Mas sabes uma coisa?!?! Houve alturas em que não lhes achei graça nenhuma, mas agora até essas coisas me fazem sorrir).

Houve promessas que te fiz que não cumpri. Porém a promessa de nunca te esquecer e de não deixar que sejas esquecida, cumprirei sempre, até ao meu último dia. 

Quando o Tiago era pequenino e ficava com muitas saudades minhas quando estava em Ribamar, com os avós, durante alguns dias; a tia costumava dizer-lhe que as saudades eram boas porque quando nos víssemos as íamos matar com muitos beijinhos e abracinhos. 

Quero muito acreditar que um dia as vamos conseguir matar Martinha. Melgas/lapas como somos as duas acho que não nos largaremos durante algum tempo 😂🤣.


17 abril 2026

Já te disse hoje o quanto gosto de ti?

 

Sei que sim. E pudesse, dir-to-ia a cada segundo.

Obrigada pela partilha (cartas da tu última missão no Torrão). Mesmo!

Sabes que nós, pais (e as mães talvez um pouco mais…. 😉), temos muitas certezas sobre as pessoas que colocámos neste mundo e que moldámos em função do que nos parece ser o mais certo. Temos muitas certezas sobre a “qualidade” do nosso trabalho e da “qualidade do produto final…

Nem sempre é bem assim…

Queremos muitas vezes convencer-nos de que não poderíamos, de facto, ter feito melhor com o conhecimento e com as “armas” de que dispúnhamos ao longo de cada fase do vosso crescimento.

Às vezes vêm as dúvidas, e achamos que:

1º Podíamos ter feito melhor, que falhámos nalgumas coisas, que podíamos ter passado melhor a informação;

2º que vocês, por qualquer que seja a razão, teimam em não pôr em prática o que vos ensinámos e continuamos a ensinar.

A crítica, que se pretende construtiva, nem sempre é entendida assim… Porém, entende que apenas o fazemos porque vos sabemos capazes de conseguir chegar ainda mais próximo da excelência.

Não é intencional o peso que te possamos colocar em cima (e tenho a consciência de que por vezes isso acontece).

É antes resultado de um imenso amor e orgulho que tenho em ti; e, por vezes, aborrece-me que, às vezes por “preguiça” não te manifestes como o miúdo espetacular que és.

E depois…

Depois abres-me uma porta (uma janela, vá! 😊) para o teu mundo… E o meu peito cresce.

Cresce de orgulho, mas mais que tudo cresce por ti:

Por te ver orgulhoso, confiante, feliz e realizado.

Por te perceber reconhecido pelos teus pares, não apenas pelo que fazes, mas acima de tudo, por quem és.

Imensamente feliz por perceber que o Tiago “Confiançudo” a toda a hora se apaga de vez em quando, dando lugar a um Tiago mais vulnerável e empático que se permite ser ajudado, ajudando também os outros nos seus percursos/processos (sejam eles de fé ou não).

Gosto muito de te saber gostado!

Já te disse hoje o quanto gosto de ti? To the moon and back!

Um beijo.

Mãe


15 abril 2026

Ontem, voltaram a minha casa... Que Bom!

Gostei tanto de os ter por perto. De forma totalmente inesperada.

Quinta-feira. Dia de Teletrabalho. Recebi um telefonema dela. Perguntou-me se estava sózinha. Disse-lhe que não. O Tiago já tinha voltado das aulas e o Pedro estava também em teletrabalho.

A conversa tinha durado, até então, pouco mais de um minuto. Preparava-se para se despedir. Estranhei o conteúdo do telefonema e disse-lho: "Ligas-me para me perguntar se estou sózinha em casa?!?! O que é que me querias realmente dizer?"

O Ricardo o que fazer em Cascais. Perguntou-lhe se queria ir ter comigo. Hesitou pela presença do Pedro e do Tiago (um estava trancado no quarto o outro tinha-se deixado dormir no sofá).

Insisti para que viesse, que não daria pela presença dos dois. 

Disse-me que logo decidiria.

Não me avisou que viria. Ouvi o portão abrir e um Tico com um ladrar feliz de quem me avisa que chegou alguém de quem gosta. logo de seguida este ladrar fez-se acompanhar de uma gargalhada que reconheci de imediato como a nova gargalhada da nossa boneca.

Estivemos à conversa. Primeiro as duas. Depois a Boneca juntou-se, e, por fim o Tiago também.

Foi um momento bem passado enquanto eles saboreavam panquecas.

A Marta surgiu, como sempre. De forma leve e natural. Ainda rimos com histórias suas, dos quatro, em Paris, entre outras. 

Incrível como ainda vamos descobrindo coisas de que nunca falámos.

Ainda te estou a descobrir, Martinha...

E só depois de saírem é que me dei conta de que a última vez que os dois (os teus pais) tinham estado em minha casa, foi no dia de Natal. 

É estranho que a minha casa seja de repente um sítio onde as pessoas tenham receio de voltar por ter sido palco de algumas das últimas memórias que criámos contigo.

O avô teve o mesmo receio. Porém foi tão bom tê-lo superado e ter decidido estar connosco na Páscoa. Criámos novas e boas memórias esta Páscoa, Martinha. 

ADORARIAS ter estado presente. Sei que teria sido para ti fonte de satisfação e felicidade. Foi um bom dia e juntámos a esse nosso dia a Zita, de quem tanto gostavas.

Consigo ouvir agora a gargalhada que terias soltado. O disparate que terias dito. Vejo o teu doce sorriso de quem se diz contente por mais um se juntar a nós e tornar-se nosso.

Gosto de ti, Martinha. Muito! To the moon and back. Até à eternidade seria uma expressão que utilizaria, mas que agora, e embora se mantenha fiel ao que sinto, ganhou um peso, uma verosimilhança que não me apetece...

Queria tanto sentir agora o calor do teu abraço e o teu cheiro... Não me consigo lembrar do teu cheiro, meu amor. Por alguma razão ando atrás dele e não o consigo recuperar.

Deixa-me sonhar contigo, Princesa... e sentir-te. 


24 fevereiro 2026

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez!

 


Minha querida Princesa,

Perguntava-me ontem a avó em que tempo verbal eu te conjugava. Conjugo-te no presente. E muito embora te possa conjugar no imperfeito para me tornar mais inteligível aos outros, cá dentro, vou continuar sempre a conjugar-te no presente.

Por mais voltas que dê ao texto ou por mais lágrimas que corram quando tenho saudade, não te sei conjugar noutro tempo. Porque, mais do que fazeres parte da minha vida, fazes parte de mim.

O teu dia será sempre aquele em que me tornei tia pela primeira vez. E por isso celebro-te! Celebro-te procurando sempre a tua essência, num misto de teimosia, assertividade, inocência e de loucura. Procurando sempre o teu dócil sorriso ou a tua inebriante gargalhada.

Desafiante e desafiadora desde o primeiro dia. Persistente e provocadora. Dócil e impetuosa. Com um gosto pela vida e uma sede de viver que não conheço a muita gente. Com uma intensidade, por vezes, exasperante, que me deixava tantas vezes exaurida.

Sinto falta da tua intensidade, da tua gargalhada e do teu abraço.

Sem disso ter muita consciência, aprendi tando tanto contigo, Marta. E na tua ausência continuo a aprender. Sobre mim e sobre os outros, mesmo aqueles que nos são mais próximos. Não nos podemos surpreender contigo, mas surpreendemo-nos com os outros através de ti quando partilhamos e te partilhamos.

Ontem, se nos viste, tinhas, com toda a certeza, um sorriso de orelha a orelha e um brilho nos olhos enquanto completavas a frase do avô: “Gosto muito de ti, Amo-te muito…”.

“Dorme bem e sonha comigo.” – disseste-o, com toda a certeza.

O avô pedia-te que cuidasses de nós. Nós cuidaremos sempre de ti, Princesa.

Obrigada Martinha, por fazeres parte das nossas vidas. E, daqui a um ano, celebraremos mais um em que fui tia, Princesa, pela minha primeira vez!


23 janeiro 2026

Falaste-me hoje em sonhos?

  “Hoje a Marta falou-me em sonhos e pediu-me que vos fosse falando aos poucos”, contava eu há quase 20 atrás.

Não sei se hoje, através dos meu sonhou loucos, me voltaste a tentar falar… O que sei é que acordei com a sensação de que o sono/sonho deveria ter continuado. Com a sensação de que ficou qualquer coisa no ar que a minha memória consciente não reteve.

Foi estranho o sonho que tive.

Estava o Ricardo Araújo Pereira a apresentar um dos seus programas/Podcasts. Tinha como convidado/participante o Padre Paulo Duarte SJ, porém apresenta com algum recato o nosso Ricardo como convidado de honra porque o tema eras tu, Marta…

Acordei. E não me lembro de mais nada.

12 janeiro 2026

Amo-te muito! Dorme Bem! Sonha comigo!

 

24 setembro 2006

Faz hoje exatamente 7 meses que a vi pela primeira vez... E desse primeiro encontro retive todos os pormenores.

Detalhes de que nunca se irá recordar a não ser pela memória dos outros. É este o motivo pelo qual escrevo à Marta. Enquanto não pode fazê-lo ela própria, porque não escrevermos nós o "seu primeiro diário"?

Uma forma engraçada de nos relembrarmos também dos momentos únicos que dizem as mamãs: "nunca me irei esquecer"; e que eventualmente ficarão, por sorte, registados nos famosos "Livros do Bebé".

A minha primeira conversa com a Marta foi intensa. Fui "tia de verdade" pela primeira vez (tal como diria a Carlota – a minha sobrinha emprestada de 5 anos); mas foi também muito divertida.

Falámos ...

  • de democracia: "É melhor a menina aprender desde já que lá em casa quem manda são as mulheres". É essencial ensiná-los bem desde que chegam a este mundo!
  • de beleza. Ela era linda! Com ar de mexicanita. Ou como continua a dizer a Carlota num tom muito ternurento: "Ela é linda! Tem cara de ratita!"
  • de estética... Sim porque apesar de linda, quando cá chegou, a Marta tinha umas unhas já crescidotas: "Não Marta, a menina ainda não tem idade para unhas de gel! Quando for maior, então sim, a tia leva-a à Dulce."
  • ainda sobre beleza... sobre a beleza interior. Sobre a beleza do que nos conseguiu a todos fazer sentir. Da frescura que trouxe a todas as nossas vidas. Dos sentimentos que julgamos sempre já ter vivido, mas que nos surgem sempre como uma novidade avassaladora.

De lá para cá, muitas têm sido as conversas que temos tido. Umas mais "profundas" do que outras, mas todas elas únicas...

Mais que tudo, o que vamos, entrelinhas, ensinado à Marta, esperando que de facto profundamente se enraíze... é a arte do dar e receber.

Num contexto completamente distinto, não tão cor-de-rosa como o da Marta, ouvi uma criança dizer ter encontrado "no dar aos outros" a sua fonte de alegria e de felicidade. Ao que alguém lhe respondia que "Há muita gente que nunca descobre essa verdade." Espero que a Marta a descubra um dia!

A Marta descobriu! E como nos dizes todos os dias que falas connosco ao final da noite: Amo-te muito! Dorme Bem! Sonha comigo!

05 julho 2021

A propósito de metáforas (4)

Era Novembro e o som da chuva inundava o escritório mas não o tornava frio porque a lareira estava acesa. No ar pairava o cheiro a madeira de pinho e de resina a arder.

Filó bebia um copo de vinho a pequenos goles enquanto afagava o gato. O crepitar da madeira confundia-se com o ronronar do gato que ora pelo calor do fogo ora pelas festas na barriga se deleitava estendido no sofá.

Filó estava absorta em seus pensamentos que nem dava conta das diferentes formas que as labaredas assumiam. Sentia o calor na cara mas já não sabia se era da lareira ou o vinho que provocava a sensação.

Na escrivaninha pequenos papeis espalhados e em cima da mesa um maço de cartas atado com uma fita de seda, um charuto por terminar e uma bonita caixa de madeira finamente talhada de onde saía um pedaço de tecido.

A primeira pista veio das mãos do advogado da família, um pequeno bilhetinho e a chave da escrivaninha. Nos primeiros dias a dor da perda não a deixou entrar no “jogo” mas no final a missa de 7.º dia achou melhor pôr os neurónios a funcionar e decifrar aquele que viria a ser o início de um grande jogo.

Desde pequena que era hábito o pai desafiá-la com este tipo de coisas, uma espécie de caça ao tesouro com várias pistas e enigmas que tinha que desvendar. Assim aprendia sem se dar conta e a sua imaginação era espevitada e treinada.

Nesse pequeno papel, onde logo reconheceu a bonita e familiar caligrafia do pai, apenas uma palavra: “Malageña”. Quanto lhe era familiar aquela palavra, era assim que o pai carinhosamente tratava a mãe desde os tempos em que lá pelas Américas ele apenas um europeu “viajero” se enamorou da filha do velho e rico rancheiro “El Señor Calderón”.

Logo entendeu que “Malageña” era o disco que estava no gira-discos e que dentro da sua caixa mais um papel e nova pista. Agora duas palavras “Família Calderón” que dali a dias lhe remeteram ao livro de família que estava na estante entre tantos outros livros.

Assim foi por alguns meses em que as pistas eram cada vez mais difíceis de achar e os seus enigmas mais intrincados de decifrar.

Agora uma pista com uma representação de um brasão onde se via uma águia em cima de um cacto com uma serpente no bico. Essa conhecia bem e só podia ser a bandeira do país natal que a mãe guardava religiosamente no quarto. Estava certa, até foi fácil desta vez, - pensou. Mas aí aquela que veio a ser a última pista, novo bilhetinho na bandeira dizia: “O coração do cubano tem fechadura.”

“Que diabo queria dizer com isto” – pensava.

Muito ruminou o assunto até entender que o cubano era o charuto que estava solitário na caixa de madeira. Pegou nele e observou-o de todos os ângulos até que resolveu acendê-lo, não que o fosse fumar mas não sabia mais que lhe fazer e foi aí que descobriu uma pequena chave com a qual abriu uma fechadura que estava escondida num fundo falso da caixa. Lá o pequeno maço de cartas e bilhetes de amor, trocadas décadas antes entre os pais, atadas com uma fita de seda e um pequeno embrulho de tecido. Abriu-o delicadamente e lá dentro um bonito e brilhante diamante e um novo bilhetinho.

Novamente uma caligrafia familiar mas desta vez da mãe dizia-lhe:

“ O amor e a amizade são como um diamante. Aos olhos de uns uma relíquia que se preza mas aos de outros apenas um pedaço de pedra com o mesmo valor que as da calçada.”


10 junho 2021

A propósito de metáforas (3)

Era dia de Páscoa. Como todos os anos, os adultos da família tinham estado a organizar uma caça aos ovos de chocolate. Como todos os anos, esta caça aos ovos acontecia no jardim da casa da tia Emília.

 

A Tia Emília era uma senhora a quem já ninguém sabia a idade, e que vivia numa espécie de palacete no meio da serra.

 

Era um palacete que intrigava os mais novos. Parecia estático no tempo, mas havia qualquer coisa de muito estranho…. Embora parecesse tudo igual, havia sempre qualquer coisa de diferente, mas que eles não conseguiam dizer bem o que era. Como que se por magia, todos os anos, quando lá iam, as coisas, embora fossem todas as mesmas, tivessem mudado de lugar, e tivessem de redescobrir e reaprender aquele lugar.

 

Tal como todos os anos, a Tia Emília anunciou que havia um ovo especial, diferente de todos os outros e que estava muito bem escondido. Nos últimos anos ninguém o tinha encontrado…

 

Tinha sido dado início à tão ansiada caça aos ovos de chocolate!

 

Que conteria aquele ovo de que, todos os anos, falava a Tia Emília? Teria de ser, de facto diferente…. Tinha de valer a pena encontra-lo! Onde o teria ela escondido?

 

A miudagem começou freneticamente a percorrer todos os canteiros do jardim, subiram a cada uma das árvores. Volta e meia ouvia-se um deles gritar bem alto: “encontrei! Encontrei mais um!”

 

A Ana também encontrou alguns que foi, ora comendo, ora guardando na sua pequena cesta. Tal como os outros, também ela anunciava ter encontrado mais um… mas nunca o fazia da forma entusiástica dos seus irmãos ou dos primos.

 

No seu íntimo, Ana achava que tal celebração só teria lugar quando encontrasse “O Ovo”! Mas onde estaria aquele ovo? Como seria? O que conteria? Como é que o conseguiria distinguir dos outros? Afinal eram todos ovos de chocolate… sem nada que os distinguisse assim tanto entre si…

 

Gostaria tanto de descobri-lo… mas de certeza seria um dos outros a fazê-lo… Eles eram tão mais destemidos, originais, decididos do que ela…

 

Perdida no labirinto dos seus pensamentos, e já sem grandes preocupações em encontrar ovos de chocolate, a Ana começou a vaguear pelos jardins do palacete da Tia Emília.

 

Eram jardins muito bem cuidados. E este foi um pensamento que assaltou a pequena Ana. De repente, em vez de andar à procura de ovos de chocolate, a Ana começou a apreciar cada uma das diferentes flores que ia encontrando. Existiam tantas flores diferentes das que lá estavam no ano anterior…

 

Quase sem dar por isso, entrou no labirinto de arbustos localizado bem no centro do jardim. O labirinto foi-se adensando e os caminhos foram-se tornando mais estreitos. De repente foi assolada pelo medo. Estava sozinha e as últimas vezes que lá tinha estado tinha estado sempre acompanhada! Como ia conseguir sair dali?

 

Ana recorreu à sua memória e percorreu todos os caminhos de que se recordava, sem nunca encontrar a saída!

 

Lembram-se do início da história? Estes jardins tinham um quê de mágico! As coisas, sendo sempre as mesmas, mudavam de aparência todos os anos sem que ninguém conseguisse dizer exatamente o quê ou de que forma…

 

Assustada, Ana pensou em gritar para pedir ajuda, mas pensou no que diriam e fariam os outros… De certeza que iam gozá-la por se ter perdido num jardim que conhece e frequenta há anos! Decidiu respirar fundo, muito fundo até encontrar a tranquilidade que lhe permitisse pensar em como sair dali. Nunca iria passar a vergonha de se ter perdido no Jardim da Tia Emília!

 

Agora estava mais calma. Começou a percorrer o labirinto. Agora decidira ir pelos caminhos que nunca tinha experimentado. E descobriu tantas coisas novas!

 

Aqueles eram, de facto jardins bem cuidados. Cada um dos percursos era afinal tão diferente… Nunca tinha reparado que cada um deles estava construído com arbustos subtilmente distintos entre si!

 

E eis que, depois de se ter permitido deslumbrar a cada nova descoberta, a cada novo percurso Ana estava bem no centro do labirinto e do Jardim da Tia Emília! E foi aqui que foi verdadeiramente surpreendida e gritou: “Encontrei O Ovo da tia Emília!”

 

Era um ovo gigante esculpido a partir de um arbusto muito particular… O Jardineiro da Tia Emília tinha de ser muito engenhoso… Aquele arbusto tinha sido, de certeza, enxertado! Só não sabia quantas vezes, tamanho era o número de flores de cores e formas distintas.

08 junho 2021

Metáforas aos olhos de um miúdo...

 
Ontem, ao final do dia, estava cansada, mas tão cheia de coisas boas! Coisas tão boas com origem neste exercício de criação de metáforas que me apeteceu logo partilhá-las com quem e para quem as tinha feito! Mas faltou-me a energia…
 
Hoje, quando acordei, essa boa energia continuava cá. Reli-nos. Revi mentalmente os momentos que depois aconteceram cá por casa. E aqui vai a partilha!
 
Andamos cá por casa numa espécie de campeonato de jogos de tabuleiro. O Tiago anda numa maré de ganhar ao Pedro quase que sistematicamente e desafiou-me para jogar com ele. Tinha já feito a metáfora da Ana, mas andava às voltas com a da Maria e disse-lhe: “deixa-me terminar primeiro este meu TPC”.

– Isso até tem graça! Costumas ter muitos TPCs, mãe? – perguntou o Tiago.

    
Estava tão divertida e satisfeita com o que tinha feito para a Ana que lhe disse que depois o partilharia com ele. E partilhei. Comecei por lhe perguntar se ele sabia o que era uma metáfora.
 

– Já não me lembro muito bem, mas acho que é tipo (lá está o “tipo”) uma comparação….

– Sim, na gramática de português, é uma espécie de comparação. Mas nisto que a mãe está a fazer (e ele tem uma noção geral do que é este curso da PNL e do intuito com que o estou a fazer), uma metáfora é uma espécie de uma comparação, sim, mas que é usada com o objetivo de te ajudares ou ajudares alguém a encontrar uma resposta a uma situação incomodativa ou que não se está a conseguir resolver.

– Tipo, como no outro dia quando me tentaram roubar a bicicleta e tu me contaste uma história de quando eras pequena?

 
Perante esta resposta “enchi”! E enchi mais ainda depois de lhe ter lido as metáforas que construí para as duas.
 
À tua Maria, reagiu com um sorriso malandro e diz-me:
 

– Oh mãe! Isso pareces mesmo tu! Por exemplo, quando eu deixo as minhas coisas do lanche em cima da mesa e tu avisas-me assim, como quem não quer a coisa, bem-disposta. Depois dás-me outro aviso por qualquer coisa que eu não tenha feito bem. E vais-me dando avisos, a mim e ao pai… e depois chegas à hora de jantar e já nos avisas muito maldisposta! 😊

 
À tua Ana, reagiu de uma forma tão inesperada… (Quando nos permitimos a isso, os miúdos surpreendem-nos a toda a hora!)
 
Li-lhe a tua metáfora e mais do que um comentário à mesma, conseguiu estabelecer uma ligação fora do teu contexto, de uma forma tão clara, completamente “on-target” e que a mim me tinha escapado totalmente…. 

– Está gira essa estória! Percebe-se bem! Mas sabes de quem é que parece que estás a falar? Da Matilde! (a minha sobrinha, da idade dele) Essa miúda é tão igual à Matilde! – E não é que é?

A Matilde está a passar uma fase em que a situação que queres resolver, Ana, está muito presente. Obviamente por questões distintas, mas está, de facto, a passar por aquele turbilhão de emoções tão típico da adolescência, e o seu comportamento mais comum, neste momento, é o de explosão com tudo e com todos, muitas vezes sem razão aparente.
 
Fiquei tão orgulhosa dele!
 
Obrigada meninas!

A propósito de metáforas (2)

 
Maria tinha um evento especial.
 
Não daqueles que estão marcados no calendário pra celebrar datas especificas. Era um evento pelo qual ansiava há algum tempo.
 
No armário tinha aqueles sapatos pelos quais se tinha apaixonado e aos quais não tinha resistido. Eram lindos na sua diferença. Eram a sua “cara”.
 
Com eles calçados, viu-se linda, maravilhosa, plena… mas não podia ir só de sapatos!!! Ou talvez pudesse… Quem sabe? 😊
 
Imaginou usá-los com um vestido curto, mas agora achava que talvez não fosse a melhor opção. Os sapatos, embora simples e discretos, tinham de ser “a jóia” de tão únicos que eram. Queria que brilhassem.
 
Procurou outras alternativas ao vestido curto que imaginara. Encontrou algumas opções, mas agora estava indecisa.
 
Joana, a sua amiga de sempre em quem confiava cegamente, foi chamada a opinar.
 
Joana era uma mulher segura, muito certa de si, que transpirava beleza por todos os poros, e que tinha um extremo bom gosto. Joana era uma referência.
 
Aos olhos de Joana tinha saltado um vestido comprido, leve e fluído de um azul invulgar que dizia com os olhos de Maria. Ficaria linda!
 
Insegura da decisão, Maria teve um dejá vu
 
Tinha-lhe acontecido qualquer coisa semelhante no seu baile de finalistas, pensou. Apesar de aos olhos dos outros estar simplesmente deslumbrante, como nunca a tinham visto antes, Maria não se tinha sentido na sua pele naquela noite…
 
Agradecendo imenso a Joana, decidiu levar um simples, discreto e curto vestido preto que faria brilhar os sapatos pelos quais se tinha apaixonado e que queria mostrar ao mundo.

A propósito de metáforas (1)


Já não escrevia há tanto tempo... E foi tão giro e gratificante voltar a brincar com as palavras!

 
Ela era uma miúda gira. Discreta. Calada. Raramente se expunha. Raramente partilhava.
 
O sorriso tímido que, por vezes, despontava no seu rosto como reação a qualquer coisa que a emocionava ou divertia, fazia antever um mundo que quase todos desconheciam e que, embora interdito, ansiavam por desvendar.
 
Era um mundo por vezes estranho. Um mundo que alternava entre uma luz muito própria, positiva e intensa, e um turbilhão de emoções, dúvidas, dores que ela guardava apenas para si, e que teimosamente não desvaneciam – tal qual erva daninha que invade um jardim e tudo o que o circunda.
 
Essa miúda vivia numa casa sem espelhos.
 
A imagem que tinha de si própria era apenas aquela que foi construindo com o passar dos anos. O que se dizia a si mesma é que era mais uma miúda igual a tantas outras. O que ela aprendeu através dos outros é que nem sempre é bom sermos diferentes. Talvez por isso se resguardasse…
 
Certo dia, em passeio com a irmã, descobriu uma casa repleta de espelhos. Nenhuma das duas meninas tinha alguma vez visto a sua própria imagem refletida.
 
Cada um dos espelhos, que forravam integralmente as paredes daquela casa, funcionava com distorção.
 
A miúda ficou espantada com a quantidade de gente que habitava aquela casa... O estranho é que todas aquelas pessoas a olhavam diretamente nos olhos e eram curiosamente parecidas entre si.
 
Sorriu a uma miúda que lhe pareceu simpática.
 
Gritou a uma miúda com quem se assustou de tão grande e grotesca que era.
 
Chorou de susto de uma miúda muito feia, tal qual bruxa dos contos de horror dos livros de histórias.
 
Riu, como se não houvesse amanhã, com uma outra que tinha um ar cómico e divertido…
 
Eram tantas as emoções que a assaltavam que tudo aquilo parecia um sonho bizarro do qual queria acordar.
 
E acordou! Acordou para um sonho ainda mais bizarro, quando choca, costas com costas, com a sua irmã e, de repente, o número de pessoas que habitava aquela casa duplicou… e explodiram as duas num riso nervoso, misturado com lágrimas de susto e um desconfortável conforto de terem ali alguém que conheciam e de quem gostavam.
 
Sentaram-se no chão e com calma observaram o que as rodeava. Todas aquelas miúdas estavam vestidas como elas. E, de súbito, reconheceram as mil e uma versões de si próprias… As mil e uma versões da outra…
 
De súbito, reconheceram, a par das suas diferenças, as suas proximidades…
 
Os seus medos, as suas angústias, as suas dores, tendo certamente origens distintas, eram, afinal, emoções que lhes eram comuns.
 
Os seus jardins, agora cuidados a quatro mãos, estavam mais bonitos. E as ervas que os contaminavam deixaram de crescer e de se disseminar entre si com o mesmo fulgor.”


04 outubro 2012

a rute e eu

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18 julho 2010

As palavras cor-de-rosa e as palavras cinzentas

Um dia, sem se saber muito bem porquê, tudo aconteceu de repente: as palavras cor-de-rosa desapareceram do planeta. O que são palavras cor-de-rosa? São palavras delicadas, como Obrigado, Faça favor, Se não se importa, És tão importante para mim. Palavras tão doces que são como mel no coração.

Seria obra do Mago Cinzento, que só gostava do salgado, do picante e do amargo? Não… Eram os homens que, vá lá saber-se porquê, preferiam as palavras picantes, amargas e salgadas.

Naquela época, existiam na Terra lojas de palavras cor-de-rosa e lojas de palavras cinzentas. Os vendedores de palavras cor-de-rosa vendiam Amo-te, Penso em ti, Muito Obrigado, Se faz favor… Os vendedores de palavras cinzentas vendiam sobretudo Cabeça de alho chocho, Não me chateies, Cala o bico…

A princípio, comprava-se muito mais palavras cor-de-rosa do que palavras cinzentas. Os vendedores de palavras cor-de-rosa faziam bons negócios, e um perfume doce envolvia a Terra. Os vendedores de palavras cinzentas passavam os dias à espera, porque só tinham clientes uma ou duas vezes por ano, por alturas de grandes zangas.

No entanto, um dia, os homens puseram-se estranhamente a comprar palavras cinzentas. Havia uma crise de emprego, uma greve de corações. Os patrões compravam muitos Vá pregar a outra freguesia, Está bem arranjado, homem, Obrigado pelos seus serviços mas está despedido. Havia guerras entre famílias, divórcios, casais que já não se entendiam. Invejas entre irmãos, zangas… Comprava-se vários Já não gosto de ti, Acabou tudo. Nas lojas de palavras cor-de- rosa, muitos Obrigado, Por favor, Gosto de ti, ficavam por vender.

— Para o diabo com as palavras doces — diziam os homens. — São caras e não trazem nenhum benefício.

Os vendedores de palavras cor-de-rosa, desolados, já não sabiam onde as armazenar.

As lojas cor-de-rosa fechavam umas atrás das outras. Passa-se, Fechado por morte do proprietário, Liquidação total, Quinze palavras cor-de-rosa pelo preço de uma. Mas, mesmo a preços módicos, elas não atraíam ninguém. As lojas de palavras cinzentas, essas sim, prosperavam. Porque, e isso é bem conhecido, as palavras feias são contagiosas. Se no recreio te lembrares de lançar uma, receberás dez em troca! Abriram-se mesmo lojas especializadas em palavras feias, risos grosseiros, insultos horríveis. E os vendedores cinzentos trabalhavam dia e noite para descobrirem jóias raras, as palavras mais horríveis e mais maldosas!

Como receavam ficar sem provisões, como costuma acontecer em tempo de guerra, as pessoas começaram a fazer conservas de palavras cinzentas. Congelaram-nas às dúzias, empilharam-nas nos armários da cozinha, nos guarda-fatos, debaixo das camas.

E, upa, ao menor atrito, ao mais pequeno gracejo, à mais insignificante discussão, ia-se à reserva: Cala o bico, Vai ver se chove, És um atraso de vida, Ó gordefas, e assim por adiante!

Os aniversários tinham lugar no meio dos piores insultos. Cantarolava-se Infeliz aniversário, infeliz aniversário, lançando-se uma bomba de palavras feias no meio da festa. Entre os adultos, para se festejar a passagem do ano, comia-se as passas e bebia-se sumo de peúgas pretas, no meio de gracejos do género:

Desejo-te um ano péssimo… e, principalmente, muito pouca saúde!

E, quando se abriam as prendas, era um concerto de gemidos:

Que feio! Como é que tiveste uma ideia tão má? É, de facto, o presente que eu menos queria receber!

Antes das aulas, as crianças corriam para as lojas cinzentas e enchiam os bolsos de palavras feias para a hora do recreio. Antes das férias, os adultos também lá iam, para encherem as malas de palavras cinzentas, de piadas estúpidas, que atiravam pela janela na auto- estrada, entre as sandes e o café, durante os engarrafamentos: Ó aselha, vai mas é plantar batatas!

À face da Terra, a atmosfera era glacial. O Sol, que tem medo das grosserias e dos arraiais de pancada, recusava-se agora a brilhar. Lembrava-se de outros tempos, em que era acolhido de braços abertos:

Está bom tempo! Que maravilha! Obrigado, amigo Sol… Oh, meu Deus, como gosto do Sol…

Em vez disso, ouvia-se agora:

Que calor horrível! Bolas! Kêkalôr!

Então as nuvens invadiram o céu, e a terra mergulhou num período glacial. Toda a gente tinha frio. As pessoas recusavam-se a despir-se, já não faziam festas umas às outras, já não nasciam bebés. A Terra estava tão triste, sem flores nem palavras cor-de-rosa!

No entanto, algures no mundo, um rapazinho não queria habituar-se às palavras cinzentas. Talvez por, no seu bolso, ter ficado uma palavra cor-de-rosa meio gelada. “Eu”, dizia Pedro, “não quero um mundo onde mais ninguém canta; onde não se diz bom dia, nem obrigado, onde há sempre tanto frio. Vou ver se encontro o Sol.” O rapazinho caminhou durante muito tempo, escalou colinas geladas, pequenas e grandes montanhas, vulcões extintos. Por fim, ao cabo de meses e meses de árdua caminhada, chegou exausto e transido à casa das nuvens.

— Toc, toc — bateu. — Venho à procura do Sol.

— Oh, oh! — exclamou a nuvem-chefe, que se tinha apoderado do céu cinzento. — Olhem só para isto… Um fedelho ridículo que vem à procura do senhor Sol! O Sol não aparece a ninguém! Desde que as palavras cinzentas tomaram o poder, somos nós, as nuvens pardacentas, que somos os chefes.

Dito isto, virou as costas e fechou-lhe a porta na cara.

O rapazinho sentou-se, confuso. Como responder? Não trazia no bolso uma única palavra cinzenta. Então, começou a chorar. A nuvem olhou para ele surpreendida: já há muito tempo que não via ninguém chorar! Naquele universo glacial, todos os olhos estavam gelados, todos os corações estavam frios.

— Pára com isso imediatamente! — gemeu a nuvem. — Se não, vou fazer cair um aguaceiro. (Porque as nuvens têm habitualmente a lágrima ao canto do olho.)

Finalmente comovida, tomou, lá no íntimo, a decisão de o ajudar.

— Olha — disse-lhe. — Aquela bolinha amarela ali em baixo é o Sol.

Pedro abriu os olhos e viu de facto uma bola de bilhar perdida na imensidão do azul: era o Sol, que estava a desaparecer por causa dos maus-tratos.

Já no limite das forças, o rapazinho caminhou em direcção da pequena bola amarela.

— Bom dia — cumprimentou. — Vim buscar-te. Tudo se tornou cinzento na Terra. Temos frio, sentimo-nos mal. Nunca nos rimos, nunca dizemos palavras delicadas. Tens de voltar.

E o Sol e o rapazinho começaram ambos a suspirar, pensando naquela “época cor-de-rosa”.

— Tens de voltar — insistiu Pedro.

— Vou, a título de experiência — resmungou o Sol. — Mas atira primeiro para a Terra estas palavras cor-de-rosa. Assim, o meu regresso será mais agradável.

O Sol deu ao menino um conjunto de palavras cor-de-rosa: Por favor, É simpático da tua parte, Muito obrigado, Gosto muito de ti, Amor da minha vida, Se não se importa, etc. O rapazinho meteu-as nos bolsos, na boca, no boné, nas meias, em todo o lado. Todas as que ele conseguisse levar.

Regressou à Terra e distribuiu-as ao acaso.

De repente, nos engarrafamentos, as pessoas começaram a desdobrar os papelinhos cor-de-rosa: Faz favor de passar, Que tempo tão bonito, não acha?, Pode ir à minha frente, não tenho pressa nenhuma…

Nos recreios, começaram a ouvir-se novamente risos simpáticos e palavras como És o meu melhor amigo, Claro que podes entrar no jogo…

Em casa, as crianças voltaram a usar palavras cor-de-rosa: Obrigada, mamã, Por favor, Desculpa, não fiz de propósito…

Nos aniversários, cantava-se alegremente e, nas festas da passagem do ano, formulava-se votos de felicidade e de saúde.

O Sol voltou a brilhar e a deitar-se todas as noites na sua nuvem cor-de-rosa. E, juro-te, os vendedores de palavras cor-de-rosa começaram a fazer fortuna! Abriram-se mesmo outras lojas especializadas em sorrisos, em suspiros de satisfação, em delicadeza, em cortesia, em civismo… Foi como mel no coração.

Quanto às palavras cinzentas, decidiram, diante de tanta felicidade, desarvorar com quantas patas cinzentas e peludas tinham. E, quando alguma se lembrava de vir meter o nariz, garanto-vos que não ficava por muito tempo.


http://humanizar.wordpress.com/2008/04/25/19/

17 novembro 2009

Não!

A semana não tem sido muito engraçada no que toca a birras de cansaço de fim de tarde. Ai não tem não bebé!

Mas a mamã sabe que estão a vir muitos dentes ao mesmo tempo, estamos um bocadinho irritados...

Só que o bebé da mãe anda a usar e abusar do não! Não, virou palavra de ordem cá por casa esta semana...

10 novembro 2009

PATO


O quáquá hoje virou finalmente pato! Ao jantar, apesar do meio do cansaço, o teu amigo pato apareceu na televisão, prontinho para ir para a cama.

De repente, a mamã viu-te de dedo esticado e ouviu-te dizer. PATO!

17 julho 2009

Parabéns a você...

Faz um ano que te vi pela primeira vez. Que te senti mais que nunca meu. Lindo o meu bebé, está crescido, um rapaz.

Já quase que conseguimos andar, mas na impossibilidade de o fazer, tudo corremos a gatinhar.

De entre muitas outras coisas que fomos aprendendo, disseste hoje uma palavra nova: papá!

13 maio 2009

Temos de ir comprar um capacete

Eu gosto muito de bicicletas, mas o avô Carlos está com mais vontade do que eu de começar as minhas aventuras pelas avenidas de Ribamar. Pôs-me ontem em na cadeira da bicicleta que era propriedade exclusiva da minha prima Marta! Paciência miúda, mas parece que vamos ter de a partilhar!

Começei a gatinhar...

...há 4 dias atrás!

Mas hoje pela primeira vez andei pelo chão e quase que fazia corridas. A avó Zita diz que fui muito depressa até conseguir apanhar o comando da televisão. O problema é a cabeça porque não vejo por onde ando.

19 março 2009

Olá Pai


Olá pai!

Sabes que hoje é um dia especial?
Não, pai! Hoje não é Natal!
A mãe acha que me está a nascer o meu 1º dente
Mais um sinal de que me estou a tornar gente.

Estou tão contente!

Não não o seja,
Mas estou a ficar crescido.
Qualquer dia não há bébé que se veja,
E fraldas e biberãos serão tempo ido.

A mamã diz que o tempo passa a correr
Quase sem que se consiga perceber.
Sabes pai?!? Isso até é uma sorte!
Não tarda este dente vai cair,
E a fada com muitas prendas para mim vai vir!

Por em prendas falar,
parece afinal,
Que por outro motivo que não o meu dente o dia é especial.
A mamã diz que há algo a comemorar

Não percebi muito bem...
A Mamã diz que é o teu dia....
Existe um dia do filho também?

Não percebo muito deste mundo,
Por isso não sei se gosto mundo desta ideia...
O que sei é que lá no fundo, lá no fundo,
Gosto de ti como de geleia!

Não sei o que isso é,
Mas a mamã diz que vou gostar
Como gosto de papaia ou do meu pé,
E isso pai, é gostar até fartar.

Como compras ainda não sei fazer,
Pedi à mamã para uma prenda te comprar.
A mamã diz que o melhor do mundo é saber dar e receber,
Vamos umas aventuras partilhar?


Olá Pai


Olá pai!

Sabes que hoje é um dia especial?
Não, pai! Hoje não é Natal!
A mãe acha que me está a nascer o meu 1º dente
Mais um sinal de que me estou a tornar gente.

Estou tão contente!

Não que não o seja,
Mas estou a ficar crescido.
Qualquer dia não há bébé que se veja,
E fraldas e biberãos serão tempo ido.

A mamã diz que o tempo passa a correr
Quase sem que se consiga perceber.
Sabes pai?!? Isso até é uma sorte!
Não tarda este dente vai cair,
E a fada com muitas prendas para mim vai vir!

Por em prendas falar, parece afinal,
Que por outro motivo que não o meu dente, o dia é especial.
A mamã diz que há algo a comemorar

Não percebi muito bem...
A Mamã diz que é o teu dia....
Existe um dia do filho também?

Não percebo muito deste mundo,
Por isso não sei se gosto mundo desta ideia...
O que sei é que lá no fundo, lá no fundo,
Gosto de ti como de geleia!

Não sei o que isso é,
Mas a mamã diz que vou gostar
Como gosto de papaia ou do meu pé,
E isso pai, é gostar até fartar.

Como compras ainda não sei fazer,
Pedi à mamã para uma prenda te comprar.
A mamã diz que o melhor do mundo é saber dar e receber,
Vamos umas aventuras partilhar?

27 janeiro 2009

Mais sabores novos

abobora
batata
alface

25 janeiro 2009

A minha primeira sopa

batata
cenoura
alface

12 janeiro 2009

"A minha mamã foi hoje ...

... trabalhar pela primeira vez desde que cheguei a este mundo!"

E foi um bocadinho complicado Tiago!

Apesar de saber que estavas bem entregue, custou-me um bocadinho estar todo o dia sem ti. Foi estranho não ter fraldas mudar e biberãos para preparar. Não ter de estar sempre alerta para ver se estavas bem, se choravas ou se tinhas fome. Tive saudades de brincar contigo depois de cada sono.

Estava ansiosa por chegar a casa da avó Zita para te reencontrar. Estava à espera de duas reações possíveis: que estivesses muito zangao comigo por te ter deixado "sózinho todo o dia", o que ficasses muito feliz por me veres.

O estranho é nem uma coisa nem outra. Viste a mamã, olhaste para a avó e não quiseste grande coisa comigo. Foi uma sensação tã estanha. Mas na verdade não foi má, tive pelo menos a certeza de que não estranhaste a estadia em casa da avó e que se iam divertir muito os dois doravante.

Tens é de te portar bem! Olha que ela não perdoa meninos mal educados!

21 dezembro 2008

Recebemos hoje uma visita

Pois foi! Vieram cá a casa a Paula (que já não te via há muito tempo) e a Joana (que ainda não te conhecia).

Estava cá em casa a prima Marta e a avó Zita que também nos tinham vindo fazer uma visita. Foi engraçado porque, sabes uma coisa Tiago, tu é um "vendido"!

A mamã está a brincar! A mamã gosta muito que tu sejas assim simpático! É que gostaste tanto delas que te rias à gargalhada com os disparates da Paula que ia brincando contigo às escondidas. Riste-te tanto que a avó ficou espantada! Nunca te tinha visto gargalhar.

10 novembro 2008

virei-me hoje pela 1ª vez

Estava em Casa da avó Zita e do avô Carlos. O papá e a mamã resolveram que o meu quarto não devia ser branco e como eu sou muito pequenino não era assim muito bom ficar lá pr casa com cheiro a tinta. então viemos para cá durante alguns dias.

A mamã pôs-me em cima da cama dela para me mudar a fralda e brincar um bocadinho comigo, mas, por instantes, deixou-me um bocadinho sózinho enquanto se virou para me ir buscar uma fralda. E, de repende, viu-me virado de barriga para baixo! Sabem o que foi? A mamã tinha dexado uma coisa muito gira em cima da cama, mesmo à minha frente... Uma máquina fotográfica que eu queria desesperadamente saborear - sim porque eu agora, para ficar a conhecer bem todas as coisas, gosto de as levar à boca, não basta tocar-lhes!

14 outubro 2008

Estou crescido!



Estou tão crescido,
Que dormir em alcofa é tempo ido!
Experimentei hoje na minha cama nova!

Foi tão divertido... Encontrei novos amigos.
Para além do amigo Chico e do amigo ursinho a mamã e o papá também chamaram para me fazerem companhia, a malhadinha, o trombas, o trombinhas, o reizinho, a prima da vaca cornélia e o seu amigo boi.

Depois lá do cosmos, de outro planeta, veio também o amigo ET - nunca me lembro no nome dele porque é um bocadinho estranho -, mas a mãe diz que ele se chama Fiuzz. O Fiuzz é amigo da Muax que veio também algures do cosmos para fazer companhia à prima Matilde.

Mas a mamã e o papá são tão queridos, que chamaram ainda mais amigos...

A abelhinhas! Há a abelha Rainha que toda a gente diz que não faz nada desta vida, mas que não é verdade! Ela tem muitos bebés para que depois quando crescerem poderem ir buscar o polén às flores para fazer o mel. A mamã diz que eu ainda não sei o que é o mel, mas que é uma coisa muito boa, muito docinha.

A abelha Rainha é tão amiga que não quis que eu ficasse sózinho, então chamou, para me fazer companhia, a Azulinha que é entre as abelhas a minha melhor amiga(a mãe da verdinha também lhe chamava caracol quando ela era pequenina), a Verdinha (que é uma grande amiga da prima Marta e que adora fazer tropelias), a Laranjinha que é amiga da prima Matilde (chamam-lhe assim porque ao avô Carlos chamavam laranja e à mãe Tita laranjinha, como de todas é a mais pequenina, laranjinha ficou).

Para que tudo corresse bem e nós traquinas - meninos e abelhas - não fizessemos mal a ninguém, a abelha Rainha pediu à Vermelhinha para nos fazer companhia.

A Vermelhinha que ficou um bocadinho zangandinha, porque para ficar connosco não podia ir buscar polén para fazer mel, mas lá acabou por assentir dizendo à rainha: "está bem eu vou, e se calhar até acabo por me divertir..."

09 outubro 2008

Adivinha O Quanto Gosto De Ti (André Sardet )

Já pensei dar-te uma flor,
Com um bilhete, mas nem sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim,
Quando deixo de te ver...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...

Ando a ver se me decido,
Como te vou dizer,
Como heide de contar,
Até já fiz um avião com um papel azul,
Mas voou da minha mão...

Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...

Quantas vezes parei à tua porta?
Quantas vezes nem olhaste para mim?
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses,
Quanto é que eu gosto de ti?

Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...

03 agosto 2008

Fomos hoje conhecer a Matilde


É tão linda a nossa linda princesinha! Linda de morrer! Muito feminina e tão pequenina! Uma bonequinha!

Já estávamos há algum tempo com a tia Tita e com a Matilde quando apareceu a prima Marta que tinha ido passear com a avó Zé e com a tia Carla.

Entrou e não sabia muito bem o que fazer... Agora já não eras só tu o bébé, havia a Matilde também! Então, sem saber muito bem como gerir a coisa, andava de um lado para o outro, ora espreitando um, ora espreitando o outro e distribuindo sempre festinhas, beijinhos e abraços como ela tanto gosta.

Estava com um bocadinho de ciúmes, mas apesar de tudo foi tão querida convosco!

Com medo que fizesse uma birrinha e não quisesse ir para casa a mamã pediu ajuda a avô Carlos para levar a Marta com ele. Mas na verdade não era com o avô que a Marta queria ir! Era contigo! Então avô pediu ajuda à Marta, e disse-lhe assim: "Marta ajuda o avô e o tio Pedro a levar o Tiago. Segura aqui nesta fita."

A Marta foi então, muito orgulhosa por poder ajudar, sempre a segurar a fita do teu ovo. O difícil foi fazê-la entrar no carro sem grandes birras porque queria ir connosco Tiago!

24 julho 2008

Conhecemos hoje a prima Marta!



Que ela te viu, foi hoje a primeira vez
De tão entusiasmada,
Quase te defez!
Num rol de beijo e abraços, uma grande marmelada!

.

Foi tão engraçado... Porque ninguém esperava que assim fosse...

Entrou em nossa casa, e sem mais perguntou ti.

A mãe levou-a até ao quarto. Tu estavas a dormir. Ela sem saber o que fazer pulava, pulava e riaaaaaaaaaaaa. Agarrava-se à barriguita e riiaaaaaaaaa, sem saber o que fazer.

Depois do entusiasmo inicial, só te queria pegar ao colo. A mãe lá acabou por lhe fazer a vontade e ela não parava de te fazer festinhas, de tentar pôr-te a chucha.... e riaaaa.

Continuava a rir de tão contente que estava.

18 julho 2008

Ao mundo, a tua chegada anunciámos assim...


Cheguei hoje de madrugada com 3,790kg e 50 cm. Estamos bem os dois, eu e a minha mamã.
Tiago

.

Todos logo te quiseram conhecer! Recebemos muitas visitas... dos avós, dos tios, das tias e amigos.

Muitos elogios recebemos. "Que bébé lindo!" - foi o que todos disseram. Nasceste tão cheiinho que o avô
Carlos te chamou Michelin - a brincar claro!

17 julho 2008

Foi hoje que nos conhecemos!


Finalmente, pude ver-te com olhos de ver.
Não que disso precisasse para saber,
Que eras lindo de morrer!

A mãe estava um bocadinho cansada,
Mas estava suficientemente acordada,
Para para ti olhar
E num instante a tua carinha memorizar.

O papá não pôde estar presente
Quando a este mundo chegaste.
Mas estava lá fora todo contente,
À tua espera, ansioso quanto baste.

Foi então que te viu.
E foi então, no meio das lágrimas dos dois,
A mamã lhe disse "é tão bonito", é pois!



Assim que pôde, o papá veio-te conhecer melhor.
Ao princípio não te queria pegar...
Tinha medo de te magoar!
Mas depois, depois já não te queria largar!